Faro aguçado e olhar treinado. O escritor Nick Tosches escreveu em A Última Casa de Ópio, lançado em maio no Brasil pela Conrad, um relato delicioso sobre buscas incessantes. Ele transformou o que era uma matéria sobre as casas de ópio em Nova York, para a revista Vanity Fair, em uma obsessão. Se mandou para o Extremo Oriente, procurou e escreveu mais que um belo livro. Trata-se de uma metáfora sobre as buscas que o ser humano traça para si mesmo, e nem sempre alcança. Ele narra as histórias com tanta delicadeza, que é quase possível sentir o cheiro dos rituais, o aroma da amêndoa queimada, como ele coloca.




Autor de romances, poeta e jornalista, Tosches escreve as cenas que observa desprovido de preconceitos e conceitos. Simplesmente observa. Através de suas palavras, vê-se uma Hong Kong e seus tradicionais rituais, ainda que profundamente marcada pelo tempo da colonização britânica. Sente-se a procura pela essência, da droga e da vida. “Se trazes à tona o que está dentro de ti, o que trazes à tona te salva. Se não trazes à tona o que está dentro de ti, o que não trazes à tona te destrói”. Parece auto-ajuda e provavelmente é. Mas nenhuma frase deve ser desmerecida.

Com o mesmo estilo que consagrou Truman Capote, Hunter Thompson, Gay Talese, entre outros, Tosches criou uma obra digna. Nascido em 1949, o autor começou sua carreira escrevendo sobre música em revistas especializadas, mas o que lhe rende maior notoriedade são as biografias, como Hellfire (de Jerry Lee Lewis) e a do cantor e ator americano Dean Martin.

A Última Casa de Ópio
Nick Tosches
Conrad Editora
Preço médio 25 reais