Toda a pureza que se imagina que exista no Oriente com toda a malícia que supostamente pertence ao Ocidente. Com essas diferenças culturais, Frédéric Boilet filma com palavras a história de um quadrinista francês e sua musa japonesa, em O Espinafre de Yukiko. O personagem masculino se apaixona e não consegue desenhar mais nada que não seja aquela menina e os seus traços. Os olhos, o pescoço, os ombros e o espinafre, como ele chama.

Uma história singela e gentil, nas palavras e nos desenhos. O francês Boilet conseguiu se destacar no mercado japonês talvez por ter entendido a diferença de ritmo entre os lugares. O ritmo da fala, das sensações e dos movimentos. São simples, sensíveis. O livro é uma câmera subjetiva: a personagem é acompanhada por um narrador-escritor-desenhista que vai descrevendo o que sente e dissecando pensamentos. O toque de humor fica por conta das diferenças lingüísticas e das confusões que isso gera. Erótico sem ser vulgar, apaixonante sem ser piegas.

Frédéric Boilet mora no Japão desde 1997 e é precursor do Nouvelle Manga, um dos movimentos mais inovadores dos quadrinhos na atualidade. Seu traço é diferente dos grandes olhos e corpos avantajados característicos dos mangás. Boilet mistura lápis com tinha nanquim, ficção com realidade e metalinguagem, de forma muito elegante. Em outubro, o autor esteve no Brasil para o lançamento do livro e para o debate “O erotismo francês no manga”.


O Espinafre de Yukiko
Frédéric Boilet
Conrad Editora
Preço Médio 25 reais