Crumb, o velhinho fatal, que passou pouco dos 60, que até hoje aterroriza as mentes mais puras. Crumb que é considerado um dos grandes artistas do século passado, mestre da contracultura, tão amado quanto odiado. Crumb que conta a sua vida em detalhes, em Minha Vida, lançado no fim do ano passado pela Editora Conrad. Crumb: Mr. Natural, Fritz, the Cat.

Robert Crumb, Bob Crumb, R. Crumb, que de tão hippie e revolucionário, soa de uma forma sinistra, misteriosa, como se tudo o que ele defendeu durante esses anos fosse uma grande farsa. Será? Talvez isso seja culpa do sarcástico humor ou da sua mania de olhar apenas para o próprio umbigo – o próprio pênis, diga-se. Mas Crumb, imagino, deve dar boas risadas de si mesmo e provavelmente minimizou algumas fatalidades de sua vida simplesmente desenhando-as. Robert Crumb passou uma infância pobre na Filadélfia, dizia-se reprimido pelo pai, envolto pelas loucuras de uma mãe desequilibrada, e isso o transformou em um nerd deprimido. O que foi ótimo para os seus fãs.

Minha Vida, Robert Crumb por Robert Crumb, é uma junção de textos, histórias em quadrinhos e desenhos da série "The Complete Crumb Comics" e do livro "The R. Crumb Coffee Table Art Book", com material publicado entre 1969 e 1997. Algumas são hilárias, como a entrevista que o autor dá para a revista “High Times”. A impressão que tive é que se trata de um cara desajustado, com uma visão peculiar do universo feminino – e do corpo também já que as coxas das mulheres parecem sempre pernas de jogador de futebol –, machista ao extremo para a infelicidade das mais feministas, mas que deve estar tendo uma boa vida hoje, morando em Sauve, na França.



Minha Vida
Robert Crumb
136 páginas
Conrad Editora
Preço médio 49 reais