31/01: Back in the USSR, 35 anos depois
Category: Música
Posted by: Maria Thereza Fontoura
Com mais de 45 anos de carreira, Paul McCartney é o tipo rock star tão ouvido e consagrado que ninguém mais espera dele algo realmente novo.
Também, pudera: “Sir” Paul está às vésperas dos 64, como canta uma famosa música de sua autoria. Ele não é mais aquele garotão que, a cada disco novo ao lado de John Lennon, George Harrison e Ringo Starr, revolucionavam a música e eram idolatrados por adolescentes ávidos por mudanças, lá nos idos anos 60. Com o fim da banda, ele foi o beatle com a carreira solo mais próspera, mostrando aos eternos fãs dos fab four (e a seus filhos, e a seus netos), em cada turnê, que o sonho não acabou.
Não acabou, mas já está ficando passadinho: a não ser os espectadores que têm o privilégio de assisti-lo ao vivo, ninguém mais agüenta vê-lo cantando as mesmas músicas, com os mesmos efeitos de palco, referindo-se à platéia sempre da mesma forma. Certo?
Errado.
O DVD Paul McCartney: In Red Square, lançado no Brasil no ano passado pela Warner Music, prova o contrário.
Primeiro e principalmente porque In Red Square não traz apenas o show realizado na Praça Vermelha, em Moscou – o que por si só já seria válido, pois é o registro da primeira visita do compositor de “Back in the USSR” em solo russo. É um filme-documentário, que mescla o histórico show com depoimentos de músicos, sociólogos, escritores e fãs russos de Paul e dos Beatles.
Jovens comunistas na década de 60, essas pessoas falam sobre o significado que os Beatles tiveram nos anos da cortina de ferro e a importância de ver Paul McCartney lá, em carne e osso. Importância deveras reforçada pela emoção contida nas lágrimas de muitos espectadores cinqüentões, ao presenciarem o ex-beatle tocando muitas das músicas que, clandestinamente, embalaram suas juventudes.

Com riqueza de imagens, o DVD prende o espectador pelo significado histórico. Não é só mais um show de Paul McCartney – é um sonho impossível, até poucos anos atrás, que torna-se realidade. Um sonho de milhares de pessoas que, isoladas do resto do mundo por causa do comunismo, corriam o risco de serem presas ao adquirir discos de rock no mercado negro – comprados por verdadeiras fortunas, diga-se de passagem. Que, enquanto o mundo consumia todo e qualquer tipo de souvenir dos Beatles, tinham uma ou outra foto escondida. Sem saber quem era quem, ficavam tentando adivinhar qual deles seria John, ou Ringo.
O documentário mostra como, idolatrados como símbolos de liberdade por jovens que viviam num sistema no qual não acreditavam, os Beatles colaboraram consideravelmente na queda do regime socialista.
Como se não bastasse, o show não se limitou às canções de sempre, como “Hey Jude” ou “Live or Let Die”. Desta vez Sir Paul inovou e trouxe, para deleite dos fãs, pérolas como “I’ve Just Seen Her Face”, “Two of Us”, “I’ve Got a Feeling” e até “Helter Skelter”, do ótimo Álbum Branco. São mais de 150 minutos e 30 músicas, entre o show na Praça Vermelha e um outro, realizado em 2004, em São Petersburgo. Vale dizer que o dvd é legendado, e ainda possui como extras o curta Behind the Curtain: Memories of Red Square e o mini-documentário estilo Discovery Channel Rússia and the Beatles: a Brief Journey.

bernardo wrote: