texto Tuti Maioli Neto



Domingos são lentos em qualquer país. Foi num destes, entre café & nicotina & « SonntagsZeitung », um jornal suíço, que Beckett entrou pelas minhas portas, sem sequer ter mandado um SMS, dizendo que vinha. Foi ele, o irlandês, que recebeu o Prêmio Nobel em 1969 e fez o mundo inteiro esperar o Godot. As linhas me dizem de um jubileu, pois ele nasceu no dia 13 de abril de 1906.




Fui além e li que a dtv (uma editora alemã) tinha lançado um livro , "Samuel Beckett", na série « Portrait ». Na seqüência, um outro livro, «L`amitié de Beckett », escrito pelo francês André Bernold. Na segunda-feira de um céu chumbo, não esperei Godot e fui à cata de Beckett. Bruxarias tipográficas que levam ao fetiche. As capas dos livros geralmente estampam um foto sua, com todas as marcas e rugas que se têm direito, como se dissessem que não passou a vida em branco. Nem as nuvens passam. Devorei as letras num dia só. Paralelo ou tudo junto, a sua própria vida era uma literatura, cheia de histórias, como por exemplo, o love affair com Peggy Guggenheim, aquela mesmo, cujo lema era comprar um quadro por dia. Ou jogar xadrez com Marcel Duchamp. Ou para espaventar os fantasmas que o rondavam, trabalho físico na agricultura nos campos franceses.

Como é seu centenário de nascimento, talvez seja o momento de ler « Malone morre" ,traduzido por Leminski e publicado, pela primeira vez, em 1986, pela Brasiliense. A editora Conex o reeditou e pode ser encontrado nas livrarias.

Tuti Maioli Neto é jornalista e fotógrafo e mora na Suíça.
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