05/03: Cartuns muçulmanos, Art Spiegelman e afins
Category: Quadrinhos
Posted by: Adriano Wilbur

(Art Spiegelman em seu estúdio em NY)
Se existe uma coisa que essa história dos cartuns muçulmanos comprova é a influência de uma linguagem ocasionalmente vista como “apenas linhas num papel”. Por isso gostei de ver Art Spiegelman (Maus) falando sobre o assunto. Aqui vão alguns trechos de comentários dele.
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No jornal francês Sud-Ouest, Art Spiegelman ressalta a importância de se preservar a liberdade da imprensa de insultar e expressar suas idéias.
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O que eu não poderia ser mais de acordo, porque o problema com a censura vem sempre do argumento inicial de que se a questão é ofensiva, obscurecendo a diferença entre insultar e promover violência ou discriminação.
Argumentos embasados e críticos sempre vão ser ofensivos. Eu nem consigo achar os cartuns algo além de um retrato da situação. Infelizmente a religião muçulmana acabou associada demais com os “mártires”. E não se pode acusar alguém que faz um desenho sobre isso quando Osama e Al Zawahi aparecem na TV falando sobre explodir tudo e citando linhas do Corão a todo minuto.
Como já foi dito por outras pessoas lúcidas (inclusive do Oriente Médio) “o terrorismo é a pior propaganda do Islã”.
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Confira outros trechos interessantes de Spiegelman sobre o assunto proferidos na seqüência de palestras Comix 101 que o cartunista está dando nos EUA:
- “Isso é ridículo.”
- “Por que ninguém quer publicar esses cartuns? Do que têm medo? De ofender alguém? Esses dias, sob a desculpa de ser gentil, muitas palavras como ‘respeito’ são usadas à toa, mas nesse caso o que está sendo jogado fora é a claridade da história. Como compreender o que causou isso quando não se vê o que foi considerado tão provocativo? A mera banalidade dos cartuns demonstra a falta de sentido na reação extremista.”
Sobre o concurso de cartuns do Holocausto no Iran:
- "Se eu gostaria de ver cartuns sobre o holocausto? Não, eu não gostaria, mas eu aceitaria.”
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James Sturms (Unstable Molecules):
- "Quando você lida com a linguagem de cartum você toma informação visual e a reduz aos seus elementos mais básicos. Ainda assim essa situação poderia ter sido facilmente causada por um livro ou vídeo game. A história de verdade aqui é que esses cartuns foram impressos no outono passado...”
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O Village Voice imprimiu um artigo de Nat Hentoff que joga uma luz sobre o porquê do choque repentino com os cartuns. A polêmica teria sido uma campanha da Organization of Islamic Conference (OIC), que representa 57 países muçulmanos. Essa organização teria difundido a história desses cartuns em fevereiro. O que faria parte de um lobby internacional para impor leis, através da ONU, que considerassem crimes os insultos ao Islã e ao seu profeta.
Os cartuns teriam se tornado bode expiatório para inflamar atos de violência necessários a esse objetivo, através da alegação de que seriam “blasfêmia a ser punida com morte pela lei Shariah”.
A intenção dessa organização seria inibir criticas à Jihad islâmica por ameaças de violência e estaria começando a funcionar. A União Européia agora está apresentando um código voluntário para tentar evitar imprimir o que poderia ser ofensivo aos muçulmanos. Kofi Annan aceitou a proposta da OIC de rever a lista de direitos humanos e incluir “prevenir discriminação contra crenças, religiões e profetas”.
O vôo de uma borboleta pode causar um terremotos, pela lei do caos, e linhas num papel foram usadas contra a liberdade de imprensa no Ocidente.
Adriano, the pitiless

Christian Steagall-Condé wrote:
Somos ameaçados o tempo todo, confiram: vírus, bactérias, trânsito, TV Aberta, Locutores Esportivos, a República ( isto, onde, evidentemente, ela foi de fato proclamada, pois a julgar pelos Primeiros, Segundos e Terceiros escalões, estamos numa espécie de, digamos assim, Ditadura-dos-Super-Equipados-Proletários
Amantes-dos-Carguinhos-Com-Salariões ) e, mas que grande que joça, o inepto aqui ainda nem conseguiu ver a tal charge do brilhante por trás de MAUS... ;( Deveriam publicar em todas a s Primeiras Páginas dos mais de 1.000 jornais deste planeta estranho, mas... quando me lembro de uma notícia bem velha em SP, que um cara fuzilou outro descartando oito cápsulas de sua reluzente pistola automática 365, por quê esse tal outro sujeito quebrou a lanterna de plástico ( R$56,00 ) do precioso e valiosíssimo carrinho descartável dele, num trãnsito de bairro, de dia, sem chuvas, com gente... bom...