(Art Spiegelman em seu estúdio em NY)

Se existe uma coisa que essa história dos cartuns muçulmanos comprova é a influência de uma linguagem ocasionalmente vista como “apenas linhas num papel”. Por isso gostei de ver Art Spiegelman (Maus) falando sobre o assunto. Aqui vão alguns trechos de comentários dele.

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No jornal francês Sud-Ouest, Art Spiegelman ressalta a importância de se preservar a liberdade da imprensa de insultar e expressar suas idéias.

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O que eu não poderia ser mais de acordo, porque o problema com a censura vem sempre do argumento inicial de que se a questão é ofensiva, obscurecendo a diferença entre insultar e promover violência ou discriminação.

Argumentos embasados e críticos sempre vão ser ofensivos. Eu nem consigo achar os cartuns algo além de um retrato da situação. Infelizmente a religião muçulmana acabou associada demais com os “mártires”. E não se pode acusar alguém que faz um desenho sobre isso quando Osama e Al Zawahi aparecem na TV falando sobre explodir tudo e citando linhas do Corão a todo minuto.

Como já foi dito por outras pessoas lúcidas (inclusive do Oriente Médio) “o terrorismo é a pior propaganda do Islã”.

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Confira outros trechos interessantes de Spiegelman sobre o assunto proferidos na seqüência de palestras Comix 101 que o cartunista está dando nos EUA:

- “Isso é ridículo.”
- “Por que ninguém quer publicar esses cartuns? Do que têm medo? De ofender alguém? Esses dias, sob a desculpa de ser gentil, muitas palavras como ‘respeito’ são usadas à toa, mas nesse caso o que está sendo jogado fora é a claridade da história. Como compreender o que causou isso quando não se vê o que foi considerado tão provocativo? A mera banalidade dos cartuns demonstra a falta de sentido na reação extremista.”

Sobre o concurso de cartuns do Holocausto no Iran:
- "Se eu gostaria de ver cartuns sobre o holocausto? Não, eu não gostaria, mas eu aceitaria.”

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James Sturms (Unstable Molecules):
- "Quando você lida com a linguagem de cartum você toma informação visual e a reduz aos seus elementos mais básicos. Ainda assim essa situação poderia ter sido facilmente causada por um livro ou vídeo game. A história de verdade aqui é que esses cartuns foram impressos no outono passado...”

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O Village Voice imprimiu um artigo de Nat Hentoff que joga uma luz sobre o porquê do choque repentino com os cartuns. A polêmica teria sido uma campanha da Organization of Islamic Conference (OIC), que representa 57 países muçulmanos. Essa organização teria difundido a história desses cartuns em fevereiro. O que faria parte de um lobby internacional para impor leis, através da ONU, que considerassem crimes os insultos ao Islã e ao seu profeta.

Os cartuns teriam se tornado bode expiatório para inflamar atos de violência necessários a esse objetivo, através da alegação de que seriam “blasfêmia a ser punida com morte pela lei Shariah”.

A intenção dessa organização seria inibir criticas à Jihad islâmica por ameaças de violência e estaria começando a funcionar. A União Européia agora está apresentando um código voluntário para tentar evitar imprimir o que poderia ser ofensivo aos muçulmanos. Kofi Annan aceitou a proposta da OIC de rever a lista de direitos humanos e incluir “prevenir discriminação contra crenças, religiões e profetas”.

O vôo de uma borboleta pode causar um terremotos, pela lei do caos, e linhas num papel foram usadas contra a liberdade de imprensa no Ocidente.

Adriano, the pitiless