13/03: Coisas Incríveis...
Category: Teatro
Posted by: Melissa Crocetti

Quantas coisas você faz e não conta para ninguém? Quantas manias você adquiriu ao longo dos anos e nem se deu conta? Quantas inseguranças, presunções, certezas, alegrias e decepções? “Coisas Incríveis Mantidas em Segredo até então”, que estréia no Festival de Teatro de Curitiba, fala sobre esse universo solitário, feminino ou masculino, que surge em conversas ou momentos de solidão.
Escrito pelas atrizes Larissa Crocetti e Marcia Maggi, com adaptação de Fábia Guimarães, a comédia parte de situações verossímeis para tratar de um tema como a solidão de maneira criativa e inteligente. Pensamentos, desejos, obsessões. O universo de duas mulheres com visões diferentes, mas não distantes, e os velhos hábitos e manias inerentes a cada um de nós. Leia a entrevista com a atriz Larissa Crocetti.
Coisas incríveis mantidas em segredo até então. Que coisas são essas?
Todas aquelas coisas que pensamos, que confessamos ou não. É a nossa maneira de ver a realidade e de viver nela. São as nossas manias, nossas obsessões, nossos medos e desejos. É tudo aquilo que compõe a complexidade das pessoas.
E por que vocês acham que elas eram mantidas em segredo até então?
Porque as pessoas são assim. Nem sempre é fácil escancarar seus próprios pensamentos, suas neuroses, seus prazeres. Em muitos dos textos há mais ficção que realidade, mas em outros há nós mesmas. E nenhum dos dois tipos deixa de ser verdadeiro porque escrevemos o que somos, o que gostaríamos de ser e o que negamos ser.
Uma vez escutei que as mulheres pensam demais. Vocês acham isso?
Acho que essa afirmação não cabe só às mulheres. As pessoas pensam demais, ou pelo menos deveriam. Acho que se questionar é sempre positivo. Nós pensávamos onde queríamos chegar, e ainda queremos. Pensamos sobre o formato dos textos e sobre o conteúdo deles. Acredito que a mulher se permita pensar mais em alguns casos, com exceções obviamente, principalmente quando se refere aos seus sentimentos e a sua vida pessoal.
É uma peça sobre a solidão?
Talvez sobre a solidão feminina, por ter sido escrito por duas mulheres, mas também sobre a solidão de um modo geral, dessas pessoas que se vêem todos os dias e não se conhecem, que se conhecem superficialmente e não se importam, e sobre os vários sentimentos agregados a isso. Mas é claro que tudo isso é abordado de uma forma muito divertida e inusitada.
Qual foi a inspiração de vocês?
Escrevo sobre o que eu vejo, o que eu sinto. Observar as pessoas ao redor, sejam conhecidos ou não, é a melhor fonte, acredito. Ninguém é sempre a mesma coisa, nem sempre feliz, nem sempre triste. Escrevo em momentos em que me sinto mais vulnerável, parece que a minha percepção fica mais aguçada. E acho que desde criança a gente já tem medo da solidão, a gente não sabe bem o que é, mas tem medo. Medo de se perder dos pais no supermercado, da aceitação dos colegas na escola, de dormir sozinha no escuro. A gente procurou em nós mesmas, nos filmes, nas pessoas. Você sempre vai encontrar material suficiente.
Como aconteceu essa peça?
A Marcia tinha alguns textos que já tinham sido lidos por mim e por vários de nossos amigos. Então teve um dia que ela me propôs fazer desses textos soltos, e que variavam muitos nos temas, uma peça. A partir daí nós duas começamos a produzir diversos outros textos. Cada uma escrevia separadamente sobre temas ou coisas que chamassem atenção. Depois a gente se reunia e mostrava o material produzido.
E como foi a construção do texto em dupla?
Na verdade foi um trio, pois a diretora Fábia Guimarães foi fundamental para esse processo, para adaptar esses textos para a linguagem teatral. A Fábia introduziu a base da história. A partir disso, a gente foi encaixando os textos e percebendo o que era pertinente em cada personagem.
Quem são as duas mulheres da peça?
A Helen é uma mulher criada pela tia. Foi casada durante pouco tempo. Seu casamento fracassou. Ela mora com uma tia velha. Ela sempre foi a mosca-morta da escola, da faculdade, do trabalho. Nunca conseguiu fazer coisas que a destacassem e por isso acabou escondida no seu apartamento mentindo para si mesma sobre sua vida. A Soraya sempre foi a popular na escola. Cheia de namorados, pretendentes, amigos. Sempre foi segura de si, sempre soube o que queria e o que não queria, apesar de sua percepção um pouco distorcida da realidade. Até descobrir que tudo não passava de uma farsa. Seu namorado não era “o cara”, seus amigos não existiam. Sua auto-confiança era totalmente vulnerável. Duas mulheres que descobrem que suas fraquezas podem ser seus pontos fortes. Duas pessoas totalmente verossímeis e cheias de segredos.
Serviço:
Coisas Incríveis Mantidas em Segredo até então
Texto: Larissa Crocetti e Marcia Maggi
Elenco: Larissa Crocetti e Marcia Maggi
Direção e adaptação: Fábia Guimarães
Assistência de Direção: Nina Rosa Sá
Iluminador: Fábia Regina e Marcelo Rodrigues
Figurinista: Fabianna Pescara e Renata Skrobot
Sonoplasta: Célio Savi
Cenário: Rodrigo Maggi
Preparação Corporal: Marcelo Rodrigues
Design Gráfico: Renata Skrobot
Produção: Bia Reiner
Duração: 70’
16 de março (quinta) às 18h
17 de março (sexta) às 24h
18 de março (sábado) às 15h
19 de março (domingo) às 21h
Ingressos: R$: 14,00 (inteira) R$: 7,00 (meia)
Teatro Paulo Autran (Shopping Novo Batel)
(Rua Cel Dulcídio, 217. Fones: 41 3225 4484 ou 3224 4986)

Alessandra Haro wrote:
Ale Haro
PS: Adorarei a arte do convite.