Atire no Pianista e A Garota de Cassidy são dois livros, assinados por David Goodis, que mudaram a cor dos últimos dias. Histórias intensas, o acaso que transforma cada segundo irremediavelmente, pessoas levando rasteiras e levantando cada vez mais dignas. David Goodis viveu apenas 50 anos, de 1917 a 1967, a maior parte do tempo na doce e amarga Filadélfia, e soube transformar os seus personagens em pessoas basicamente comuns. Histórias que se lê no jornal quase todos os dias, mas que não passam de números, fruto da violenta e atraente atmosfera que costumamos chamar de a realidade da vida.




Atire no Pianista (Down There), que virou clássico do cinema nas mãos de François Truffaut, é uma seqüência policial absurda e que vicia. A vida marginal, o ápice, a queda e a redenção – ou o conformismo para os mais apressados. Eddie, o pianista, conta suas histórias de maneira vertiginosa, da mesma forma que passa a vida tocando piano em um bar em que provavelmente ninguém o escuta. É um livro sobre coisas que dão errado, sempre errado, no qual é impossível prever um final feliz. Talvez por essa capacidade literária o autor tenha se tornado um mestre na arte de narrar a vida dos marginalizados, bêbados, que freqüentam lugares obscuros e quase sempre moram em uma pensão suja, em qualquer esquina, com apenas um par de meias.

A Garota de Cassidy, publicado originalmente em 1951, também aborda existências sórdidas, viciados em whisky barato que procuram redenção e inspiração no bar depois de um suado dia de trabalho. Jim Cassidy é um motorista de ônibus bêbado que projeta em outra pessoa a sua própria salvação. Vidas sombrias e sem perspectivas, mas sempre permeadas pelo amor.



Atire no Pianista e A Garota de Cassidy
David Goodis
L&PM Pocket
Preço médio 14 reais