A Scanner Darkly




Paranóia, vigilância, loucura. Em A Scanner Darkly, Richard Linklater questiona o limite entre o real e o delírio. E o faz a partir da forma – o filme utiliza uma técnica de animação que captura os movimentos dos atores. Com isso, cria-se um ambiente propositalmente artificial com um pé na realidade. Ou o contrário, se você preferir.

A Scanner Darkly é baseado no conto O Homem Duplo, de Philip K. Dick, em que no futuro 20% da população mundial está viciada em uma droga, conhecida apenas como Substância D. É nesse cenário que um policial disfarçado, vivido por Keanu Reeves, comanda uma investigação sobre tráfico de drogas em que ele mesmo é o principal suspeito. Como também é dependente da Substância D, gradualmente perde o contato com a realidade.

Linklater constrói um filme em que a ilusão se faz presente o tempo todo. Nada é o que parece, em todos os níveis: há desde o policial oculto e as alucinações causadas por drogas até as reviravoltas do roteiro que desmontam o que foi mostrado anteriormente. E finalmente, há a ilusão inerente ao próprio meio: o cinema, e mais a fundo, a animação, em que as possibilidades de criação são praticamente ilimitadas.

(EUA, 2006. Direção: Richard Linklater. Com: Keanu Reeves, Robert Downey Jr.,Woody Harrelson, Winona Ryder.)