Quem ler essa matéria e ver o sobrenome da Larissa – uma das atrizes da peça Um Lugar Perfeito, que estreou na quinta-feira, 6 de outubro –, vai saber que nós somos irmãs. Mas eu não acredito em imparcialidade jornalística mesmo e esse espaço, oplanob, é para falar realmente das coisas que a gente gosta. E vi e gostei muito da peça Um Lugar Perfeito.

Um Lugar Perfeito que não existe. O texto do inglês Phillip Ridley fala sobre muitas das coisas que provavelmente você já leu ou viu no Laranja Mecânica e que ainda são atuais. Fala sobre as dúvidas e perdições da adolescência, quando a gente ainda acha que sabe tudo de tudo e não sabe nada de absolutamente nada. Fala daquelas pessoas que ficam saudosistas, olham para trás e acham que as coisas eram melhores antes, sem lembrar que o passado, visto à distância, parece sempre melhor do que foi. E daquelas pessoas que se enganam ainda mais, que olham o que fizeram e se sentem covardes, incapazes de satisfazer seus anseios. Tudo isso em meio a gangsters, velhos e novos.

A peça tem algumas falhas, até porque sempre se pode fazer melhor. Mas é extremamente bem dirigida pelo paulista Marco Antonio Braz e conta com um elenco harmonioso. A Lara, minha irmã, está brilhante no papel da Querosene. Eu vejo a evolução da menininha que fazia peças para a família desde criança e que virou uma linda mulher e uma atriz brilhante. É um texto forte, daqueles que incomoda – realmente não sei do que a platéia conseguiu dar risadas -, que te jogam na cara toda a realidade hipócrita dessa burguesia barata. Seja na Europa ou no Brasil, não faz diferença. Um Lugar Perfeito que não existe, mas que é onde a gente mora.

Um lugar perfeito
Texto de Phillip Ridley
De 6/10 a 23/10 – Mini-Guaíra
De 27/10 a 13/11 – Teatro Edson Bueno
Direção Marco Antônio Braz
Com Regina Vogue, Chico Nogueira, Mazé Portugal, Gisa Gutervil e Larissa Crocetti
Quinta a sábado às 21 horas
Domingo às 19 horas