25/11: “FF”, o novo disco da Plêiade
Category: Música
Posted by: Melissa Crocetti

Amanhã, dia 26 de novembro, no Sesc da Esquina, o músico Claudio Pimentel faz o pré-lançamento do disco FF, da banda Plêiade. O show apresenta dez faixas do novo trabalho e traz uma prévia do álbum que deve ser lançado em 2007. Participam os músicos Claudio Pimentel (voz e violão), Guto Gevaerd (baixo), Luciano Franco (ghosts guitars), Kinho (guitarra), Dego (bateria) e Igor Ribeiro (trumpete). Conversei sobre a Plêiade, o show e o disco com o Claudião há umas duas semanas, no Eletric Café, antigo Korova. Leia alguns trechos da entrevista.
Quando começou a Plêiade?
Em 1992. Na verdade comecei a escrever, a ler bastante poesia e comecei a pirar. E como já gostava de música, montamos uma banda.
Você já tocava antes do projeto?
Desde que lembro já arranhava o violão, o meu irmão tocava e a gente brincava de fazer música. Fazia guitarra de pau quando era piá, ligava o rádio e tentava acompanhar. Mas não tocava violão, só escrevia música. Fazia a melodia e pedia para o meu irmão fazer a harmonia. Só que eram umas coisas bem chinfrins, eu não tinha referência nenhuma. Só ouvia rádio, ninguém comprava disco na minha casa. Mas tinha um rádio lá que ficava tocando. E eu ficava escutando todas aquelas bostas que tocavam no rádio e gostava de música. Até que ouvi The Smiths, daí tudo mudou.
O Morrissey é o culpado?
O Morrissey salvou a minha vida, em 1986. Comecei a ir atrás das coisas, fui trabalhar numa loja de discos, o que foi bem importante, conheci uma galera, música boa... e tinha aquela enxurrada de bandas que surgiram na época, como Jesus, Joy Division, muita coisa legal.
Mas entre conhecer, compor e começar a tocar?
Sempre compunha coisas mais bestas, desde sempre. Só que daí comecei a tocar violão, comprei uma guitarra, aprendi a tocar, comecei a ouvir música folk, a tocar violão, cantar e compor. E também entra aí muito de experiência de vida, aconteceram várias coisas ruins, de morte, e a música foi uma descarga poderosa.

foto Maycon Amoroso
O que significa Plêiade?
São as estrelas da constelação de Touro. Vi um filme uma vez, Paisagem na Neblina, do Theo Angelopoulos, e foi a primeira vez que ouvi o termo Plêiade. E eu tava com um casal de amigos que atualmente mora em Bruxelas, os Marcios, o Marcio e a Márcia, porque a banda tava sem nome, a gente até tocou uma vez sem nome, botei o nome de O Corvo na hora de um show porque tava lendo o Edgar Allan Poe na época. E acabou que ficou Plêiade porque é um nome foda, né?
E qual é a história da Plêiade?
A proposta sempre foi eu mesmo pegar uma galera e chamar para tocar. No começo tinha aquela idéia mais adolescente de criar uma banda e tal, de gravar o St. Peppers da banda, só que depois você vai ficando mais realista.
Vocês tinham lançado até então apenas um álbum, A Descoberta (1998) e estavam sem tocar desde 2002. Por que a retomada agora?
Não é uma retomada, por isso que virou um projeto meu, não parei de compor nunca. Só não tinha banda para ficar tocando as minhas músicas, então ficava tocando sozinho, não fazia show porque não gosto muito de tocar sozinho, não sou um bom músico. Então precisava de bons músicos, senão fica uma merda. A idéia do show era fazer mais participações especiais, mas tá todo mundo tá na maior correria, sem tempo de ensaiar e tal.
A Descoberta era o único álbum?
Depois dele a gente lançou um EP, Persona Non Grata, que foi quando a gente começou a tocar pra caralho, em 2001. Mas ficou bem tosco, fizemos umas 100 cópias, a gravação tava tosca, tocamos todo mundo ao vivo no estúdio, todo mundo louco de Special K, descobrimos na época o Special K, tem até uma música do Placebo que chama Special K, daí levamos uma garrafa de sei lá o quê pro estúdio e Special K. Ficamos cheirando aquela porra e gravando ao vivo. Ficou esquisito.
E o novo cd?
Fazia tempo que eu queria fazer. A gente começou a gravar esse disco há dois anos, lá no Igor Ribeiro, e eu chamei os amigos para o projeto.
E o amadurecimento do projeto...
É a mesma linha confessional, meio brega...
Meio Nick Cave?
Eu tô mais pra linha Roberto Carlos do que pra Nick Cave. Mas adoro o Nick Cave e queria ser igual ao Nick Drake na verdade. Mas é aquela coisa de amadurecimento na maneira de escrever, tudo bem confessional mesmo, as minhas piras psicológicas, coisa de sagitariano, né, você deve saber... as músicas falam mais disso.
As pessoas não conhecem o novo disco ainda?
Mandei por e-mail para algumas pessoas três das músicas. Espero que até o fim de 2007 ele esteja lançado. A gente vai começar a tocar mais, quero abrir o Korova de novo e tocar lá. Ano passado tava bastante com o Wandula e tocando também com as bandas covers, o This Charming Band e o Five Imaginary Boys. Mas enquanto isso tava fazendo a pré-produção do disco. O próximo disco está pronto, tô com muita música pronta, é só chamar os caras. E não precisa ser com os mesmos músicos sempre, no próximo quero chamar outras pessoas, porque Plêiade também significa uma reunião de pessoas ilustres. Podem ser as estrelas da constelação de Touro, as sete estrelas, ou uma reunião de poetas ou pessoas ilustres.
Te agrada essa coisa de não tocar com músicos fixos?
Sim, porque todo mundo tem um monte de banda, não dá para exigir de ninguém que fique só em uma banda...
E você é muito exigente?
Bastante. É difícil ter uma banda fixa e é legal para dar uma mudada, porque as minhas músicas são meio parecidas, daí as pessoas podem fazer o arranjo que elas quiserem. Às vezes as músicas são muito românticas, gosto muito de poesia romântica e acho que tem bastante dessa influência nas letras.
E você ficou satisfeito com o resultado do disco?
Fiquei bastante, é excelente trabalhar com o Igor Ribeiro, ele é fantástico, é o novo Dave Friedman (do Mercury Rev), ele é bom pra caralho.
E é rock esse disco?
É rock, folk, música eletrônica, brega, Robertão, não consigo me livrar do Robertão, gosto dele porque passei a infância inteira escutando Roberto Carlos. Acho que a primeira coisa que lembro de ouvir é Roberto Carlos.
E o que você tem escutado ultimamente?
Beirut é maravilhoso, acho que é a melhor coisa que escutei nos últimos tempos. Os pais do cara, ele tem 19 anos, eram do Leste Europeu e ele tem uma ligação forte com isso. Com 17 anos ele foi pra lá e ficou conhecendo os músicos, adquirindo toda aquela cultura e com 19 voltou e fez esse disco. Ficou fantástico. E o cara tem muita referência. Não é uma música do Leste Europeu, tem elementos do punk rock, do pós-rock, do rock, do folk, tem tudo ali. Você vê o Kraftwerk, No Smoking Orquestra, vê tudo ali, ele é muito bom. Ele lembra um pouco de The Divine Comedy, que é uma coisa que gosto pra caralho e que o último disco é decepcionante. Escuto também muito Nick Drake como sempre, música dos anos 60 também, com o pós-rock também piro bastante, umas coisas com músicas longas, instrumentais, coisas mais densas, com cordas e oscilações. Jazz também é uma coisa que gosto bastante, Coltrane e Miles Davis.

foto Maycon Amoroso
Serviço:
Pré-lançamento do disco “FF”, da banda Plêiade
Local: Sesc da Esquina
Dia 26 de novembro, domingo
Às 18 horas
Ingressos: R$10 (com venda antecipada no Eletric Café, James Bar e no local na hora).
Com: Claudio Pimentel, Guto Gevaerd, Luciano Franco, Kinho, Dego e Igor Ribeiro.

Jô Gadonski wrote: