texto de Tuti Maioli Neto
(em memória de Fernando Raiter)



Um mito navega quase sempre entre lendas e histórias. Como a vida de Jimi Hendrix, por exemplo, nascido em Seattle, a mesma terra que tem a ver com Kurt Cobain, o anjo desolado e a atriz Frances Farmer, a quem Nirvana dedicou uma canção. Real: Hendrix viveu uma infância entre pobreza, pais alcoólatras e num tempo de racismo extremado. Nas lojas, ele não podia provar as roupas, porque era negro.


Quando ele tocou o hino nacional americano “The Star-Spangled Banner”, no festival de Woodstock em 1969, a maioria associou a um gesto contra a guerra do Vietnã. Falso. Para Jimi era simplesmente “um exercício não político dos dedos”. O que realmente ele era: um ícone dos anos 60, cabelos afro, roupas hippies e seu blues psicodélico fizeram dele um guru do Flower-Power.

A sua ação mais efetiva foi ter dinamitado as fronteiras do Rock: desde Hendrix , a guitarra elétrica é tão importante quanto o canto. Tocou com os dentes, fez do pedal Uah-Uah e o amplificador Marshall objetos cult da cultura pop. Detalhe picante: quando ele voltava das férias em Marrocos, Hendrix encontrou por acaso, em Paris, a atriz francesa Brigitte Bardot e perdeu o vôo para ficar com ela em algum lençol de um hotel na capital francesa. Nem o seu manager sabia onde Jimi estava. Bardot desmente a história até hoje.

Quanto ao consumo de drogas, todo mundo achava que ele era um “junkie”. Na verdade, a sua droga preferida era LSD, que no começo de sua carreira, era uma droga legalizada nos Estados Unidos. Chegou a dizer uma vez, que « não tocava notas, mas cores ». Pergunta : como poderia produzir em 4 anos, 4 álbuns e 800 concertos, se fosse realmente um drogado da pesada?

Morte: na sua última noite, Hendrix tomou 7 comprimidos para dormir, que ele encontrou na mesa de sua namorada alemã, Monika Dannemann. Em combinação com álcool, ele teve um profundo sono, do qual nunca mais acordou. Quando Dannemann acordou no dia 18 de setembro de 1970, num hotel de Londres, encontrou Jimi morto ao seu lado. Veio a teoria de suicídio. Detalhe: na mesa de sua namorada, havia 40 comprimidos. Se fosse suicídio, teria engolido todos. Tudo isso e mais um pouco, o autor Charles R. Cross coloca em seu livro “ROOM FULL OF MIRRORS: A Biography of Jimi Hendrix”, editado pela Hyperion Books. Cross é louco por biografias, pois já escreveu sobre Kurt Cobain, Nirvana, Led Zeppelin e Backstreets.