07/12: Humor f...
Category: Quadrinhos
Posted by: Melissa Crocetti

Allan Sieber, Arnaldo Branco e Leonardo arregaçam a pacata vidinha de brasileiros como eu, ele e você.
Eles definem a revista F. como uma publicação de humor engraçado, uma tentativa de escrever ou desenhar qualquer coisa que tiverem vontade, inclusive humor sutil. Eles são o gaúcho Allan Siber, autor das tiras “Vida de Estagiário” e “Preto no Branco”, publicadas na Folha de S. Paulo; Arnaldo Branco, carioca e autor das tiras “Mundinho Animal” e “PsicoPatricia”; e o mineiro Leonardo, chargista do Jornal Extra. Juntos eles lançaram a revista F., que não é uma tentativa de revigorar o bom humor brasileiro, mas de tocar um projeto conceitual em que se acredita – e isso inclui publicar muitos trabalhos bacanas de brasileiros anônimos.
Claro que você não vai se rasgar de dar risadas em todas as páginas, mas o trio tem várias sacadas inteligentes que rendem boas gargalhadas. A linha editorial é a mesma de revistas de humor: quadrinhos, charges, algum jornalismo e escracho com várias ‘personalidades famosas’. A cada edição eles prometem uma entrevista bombástica, como foi a do polêmico colunista da revista Veja, Diogo Mainardi. “O cara é uma lady. Mesmo quando está mandando o Jabor tomar no cu, o faz com palavras de alto calão e fala pausada”, disse Arnaldo Branco sobre a entrevista. Sobre essa tendência à polêmica, Branco diz que as entrevistas vão ser sempre com “pessoas que tenham o que dizer - de preferência coisas novas. Não vamos entrevistar um chato como o Leonardo Boff só porque o discurso dele é "socialmente importante" ou algo assim”.
Arnaldo disse que não é difícil fazer humor inteligente no Brasil, pois “é só tomar o Zorra Total como referência e sair correndo para mais longe possível”. E isso eles fazem. Principalmente nas entrevistas em quadrinhos com aquelas personalidades acima de qualquer suspeita, como Jô Soares, Fernanda Young, Hector Babenco, entre outros. Sobre a hipótese de serem processados por falarem o que querem Arnaldo é rápido. “Não que eu saiba, mas você sabe como a justiça é lenta no Brasil...”.
As piadas tratam mais de sexo e personalidades. Política, a la Chico Caruso, aparentemente não interessa. “Se tivéssemos a liberdade de fazer coisas como o Wolinski fazia pra "Charlie Hebdo", na França, tipo os políticos sendo enrabados com uma medida provisória enrolada em forma de canudo, ou algo assim, beleza. Mas esse humor de pizza e mar de lama como metáfora é um saco. Os cartuns políticos estão muito parecidos, o Angeli e uns poucos mais se destacam”, completa. Um dos sacos prediletos é o do Chico Caruso. “Todo meio artístico tem a sua academia, com seus baluartes. A gente gosta de pegar no pé desses caras, mas não é nenhuma bronca pessoal nem nada, só mais um assunto - às vezes os caras dão um mole, tipo o Ziraldo tentar ressuscitar o Pasquim, e a gente cai em cima. Não gosto do tipo de humor que o Chico faz, mas não estou em campanha contra ou algo assim. Existe uma brodagem entre os desenhistas que não são exatamente os consagrados, que fazem revista na marra e tal, que ralam contra um mercado hostil. Escritores, talvez, por estarem em serviço de uma arte dita mais nobre, tendem a tertúlias intelectuais (ou que eles entendem como intelectuais) que abrem rachas até entre os representantes do seu "núcleo marginal". Não rola muito disso entre cartunistas, acho que temos mais noção do ridículo, até porque ridículo é nossa matéria-prima. Mas na real existe inveja, porque eles têm a FLIP e nós nada, chuif chuif...”, disse Branco. Para saber mais acesse www.fhumor.com.br.
