02/02: Londrina, cidade de braços abertos
Category: General
Posted by: Melissa Medroni
fotos: theo marques
Nenhum hino faz tanto sentido quanto o da cidade de Londrina, que inicia com os versos “Londrina! Cidade de braços abertos”. A receptividade começa já na rodoviária circular projetada por Oscar Niemeyer, feita toda de zinco, enfeitada por um agradável jardim ao centro e servida por lanchonetes dignas de um grande centro de compras – o melhor suco natural do mundo é vendido ali.

A rodoviária é uma das portas de entrada do município formado por 32 etnias, todas elas recebidas com a mesma cordialidade com que são recebidos os alunos que deixam suas cidades para freqüentar a Universidade Estadual de Londrina (UEL), a segunda maior instituição de ensino superior do Paraná.
A receptividade fez com que a cidade chegasse à marca de 500 mil habitantes em apenas 70 anos de emancipação, numa trajetória que é contada passo a passo no Museu Histórico de Londrina.
Para fazer um mergulho nesse universo não é preciso muito esforço: o museu “vai buscar” o seu público no meio da praça Rocha Pombo, onde fica a entrada subterrânea. O túnel, que apresenta a história da majestosa construção de 1950, onde até 25 anos atrás funcionava o terminal ferroviário, leva aos jardins do museu, cultivado com espécies originárias dos países dos imigrantes que colonizaram a cidade.

túnel de acesso
Colonização
A área interna é divida em três setores: colonização, emancipação e modernidade. Ali descobrimos o porquê do nome Londrina. Apesar de não terem criado raízes na região, os banqueiros britânicos foram os principais responsáveis pela colonização da cidade.
Eles compraram do governo do Paraná mais de um milhão de hectares no norte do Estado, em 1924, com o compromisso de promover a colonização. Para isso fundaram a Companhia de Terras do Norte do Paraná, empresa que dividiu a área em pequenos lotes iguais.

foto de haruo ohara - acervo MHL
Para divulgar a venda dos lotes foram confeccionados folhetos explicativos sobre a fértil terra roxa da região, traduzidos em diversas línguas e distribuídos no mundo inteiro – parte deste material gráfico está exposto no museu. A campanha deu certo. Imigrantes europeus fugindo da pobreza ou de perseguições políticas enxergaram no projeto uma boa oportunidade – e estavam certos.
Cada família tinha quatro anos para pagar o seu lote e a produção era garantida pela boa localização dos terrenos, todos cortados pelo rio nos fundos e pela estrada na frente, em um traçado que chamou a atenção do antropólogo Claude Lévi-Strauss em sua passagem pela cidade, em 1935, quando escreveu que “Londrina é uma cidade organizada... algumas ruas são paralelas e outras perpendiculares à via férrea ou à estrada”.
Emancipação e explosão econômica
A exibição segue mostrando, através de objetos de época, como era a vida na cidade de Londrina há 70 anos. Uma das vitrines conta a trajetória do primeiro alfaiate, responsável pelos ternos brancos – isso mesmo, brancos, apesar da terra vermelha e do barro numa época em que não existia asfalto – que tornaram os londrinenses célebres pela sua elegância.

autor desconhecido - acervo MHL
Na última sala, painéis e objetos retratam a cultura do café, principal responsável pelo desenvolvimento de Londrina até a década de 70 – a cidade era conhecida como a Capital Mundial do Café, numa época em que no seu aeroporto circulavam cerca de 200 aviões por dia.
Do outro lado da praça
Mas Londrina não vive só do passado. Basta atravessar a praça Rocha Pombo para conhecer o que se produz de novo da cidade. Ali funciona o Museu de Arte de Londrina, que expõe trabalhos de artistas contemporâneos, como Juarez Machado, Newton Mesquita e Poty Lazarotto.
O Museu de Arte funciona em outro prédio histórico, o antigo terminal rodoviário, do qual ainda preserva a plataforma de embarque. A construção foi projetada em 1952 pelo arquiteto Villanova Artigas, o mesmo que projetou o Cine Teatro Ouro Verde, que servia de escritório para a Companhia de Terras do Norte do Paraná.

Além do acervo permanente, o museu exibe mostras como a “Na Boca do Bode”, atualmente em cartaz, que resgata o período da música popular em Londrina que sucedeu os festivais universitários da década de 60, formando estrelas locais como os irmãos Arrigo e Paulo Barnabé, Itamar Assumpção e Neuza Pinheiro.
Mais um motivo para visitar a acolhedora cidade do porco no tacho e seus museus.
Nenhum hino faz tanto sentido quanto o da cidade de Londrina, que inicia com os versos “Londrina! Cidade de braços abertos”. A receptividade começa já na rodoviária circular projetada por Oscar Niemeyer, feita toda de zinco, enfeitada por um agradável jardim ao centro e servida por lanchonetes dignas de um grande centro de compras – o melhor suco natural do mundo é vendido ali.

A rodoviária é uma das portas de entrada do município formado por 32 etnias, todas elas recebidas com a mesma cordialidade com que são recebidos os alunos que deixam suas cidades para freqüentar a Universidade Estadual de Londrina (UEL), a segunda maior instituição de ensino superior do Paraná.
A receptividade fez com que a cidade chegasse à marca de 500 mil habitantes em apenas 70 anos de emancipação, numa trajetória que é contada passo a passo no Museu Histórico de Londrina.
Para fazer um mergulho nesse universo não é preciso muito esforço: o museu “vai buscar” o seu público no meio da praça Rocha Pombo, onde fica a entrada subterrânea. O túnel, que apresenta a história da majestosa construção de 1950, onde até 25 anos atrás funcionava o terminal ferroviário, leva aos jardins do museu, cultivado com espécies originárias dos países dos imigrantes que colonizaram a cidade.

túnel de acesso
Colonização
A área interna é divida em três setores: colonização, emancipação e modernidade. Ali descobrimos o porquê do nome Londrina. Apesar de não terem criado raízes na região, os banqueiros britânicos foram os principais responsáveis pela colonização da cidade.
Eles compraram do governo do Paraná mais de um milhão de hectares no norte do Estado, em 1924, com o compromisso de promover a colonização. Para isso fundaram a Companhia de Terras do Norte do Paraná, empresa que dividiu a área em pequenos lotes iguais.

foto de haruo ohara - acervo MHL
Para divulgar a venda dos lotes foram confeccionados folhetos explicativos sobre a fértil terra roxa da região, traduzidos em diversas línguas e distribuídos no mundo inteiro – parte deste material gráfico está exposto no museu. A campanha deu certo. Imigrantes europeus fugindo da pobreza ou de perseguições políticas enxergaram no projeto uma boa oportunidade – e estavam certos.
Cada família tinha quatro anos para pagar o seu lote e a produção era garantida pela boa localização dos terrenos, todos cortados pelo rio nos fundos e pela estrada na frente, em um traçado que chamou a atenção do antropólogo Claude Lévi-Strauss em sua passagem pela cidade, em 1935, quando escreveu que “Londrina é uma cidade organizada... algumas ruas são paralelas e outras perpendiculares à via férrea ou à estrada”.
Emancipação e explosão econômica
A exibição segue mostrando, através de objetos de época, como era a vida na cidade de Londrina há 70 anos. Uma das vitrines conta a trajetória do primeiro alfaiate, responsável pelos ternos brancos – isso mesmo, brancos, apesar da terra vermelha e do barro numa época em que não existia asfalto – que tornaram os londrinenses célebres pela sua elegância.

autor desconhecido - acervo MHL
Na última sala, painéis e objetos retratam a cultura do café, principal responsável pelo desenvolvimento de Londrina até a década de 70 – a cidade era conhecida como a Capital Mundial do Café, numa época em que no seu aeroporto circulavam cerca de 200 aviões por dia.
Do outro lado da praça
Mas Londrina não vive só do passado. Basta atravessar a praça Rocha Pombo para conhecer o que se produz de novo da cidade. Ali funciona o Museu de Arte de Londrina, que expõe trabalhos de artistas contemporâneos, como Juarez Machado, Newton Mesquita e Poty Lazarotto.
O Museu de Arte funciona em outro prédio histórico, o antigo terminal rodoviário, do qual ainda preserva a plataforma de embarque. A construção foi projetada em 1952 pelo arquiteto Villanova Artigas, o mesmo que projetou o Cine Teatro Ouro Verde, que servia de escritório para a Companhia de Terras do Norte do Paraná.

Além do acervo permanente, o museu exibe mostras como a “Na Boca do Bode”, atualmente em cartaz, que resgata o período da música popular em Londrina que sucedeu os festivais universitários da década de 60, formando estrelas locais como os irmãos Arrigo e Paulo Barnabé, Itamar Assumpção e Neuza Pinheiro.
Mais um motivo para visitar a acolhedora cidade do porco no tacho e seus museus.

Marcelo Porco no Tacho Dallegrave wrote:
Mas hoje exepcionalmente, vcs estão de Parabens!