29/08: O mundo de Coleman
Category: Quadrinhos
Posted by: Melissa Crocetti

O submundo é muito familiar para quem não conhece outra coisa. Foi a primeira frase óbvia que veio à minha cabeça depois de ler Sangue Ruim, de Joe Coleman. E não há com o que se espantar e nem como mudar a realidade de quem está sempre em meio ao lixo, à margem. Então esse é um livro que fala sobre a sanidade e a falta de. Mistura texto – são quatro contos – com desenhos de pessoas (os personagens) que saltam das páginas e te pegam de jeito. Olhos que intimidam e contam a verdade sobre a vida. Aquela verdade que ninguém quer saber: o lado podre de todos nós. Verdades que só parecem encontrar lugar na literatura e nos quadrinhos. Para aqueles personagens ser sangue ruim é tão normal que não há com o que se espantar. De repente, há com o que se culpar, mas isso também é uma sensação que passa rápido, apesar de deixar marcas.
“Joe Coleman é um homem das cavernas em uma espaçonave”, escreveu Charles Manson, o assassino lunático que matou Sharon Tate, esposa do cineasta Roman Polanski, em 1969. Ele que, por sinal, cumpre prisão perpétua, mas terá sua pena revista – e quem sabe o acesso à condicional – em 2007. Joe Coleman nesse livro, e em quase todo o seu trabalho, tem como personagem marginais, viciados, assassino, bêbados, ladrões e serial killers, em meio a elementos religiosos. Os detalhes de seus desenhos se parecem muitos com as pinturas renascentistas: tudo com muita riqueza de detalhes e um traço extremamente trabalhado, de quem passou muito tempo dando vida à tela.
Sangue Ruim traz quatro contos que mais parecem roteiro e story board. O primeiro, É Inútil Insistir, adapta a história do famoso fora da lei Jack Black. Uma mulher sem rumo, mas com uma história extremamente emocionante, é o mote de Bertha Vagão de Trem. Carl Panzram #31614 traz a história de um dos mais famosos serial killers da história. E, para terminar, as histórias redentoras de um outro serial killer dos anos 70, em Os Últimos Dias de Paul John Knowles.
Joe Coleman fala sobre anti-heróis, como o Manson já citado, ou Hank Williams, o homem sinônimo do country e personificação do loser americano. Coleman é o homem para quem o futuro nunca vai ser melhor: se houver uma mudança, vai ser para pior, como disse em uma entrevista em 2003. Por tudo isso, e também pela relação direta com o trabalho de Robert Crumb e Dario Argento, Coleman é um dos artistas visuais mais cultuados na atualidade.
Sangue Ruim
Joe Coleman
Conrad Livros
Prefácio de Jim Jarmusch

tita blister wrote: