ESPECIAL ALFRED HITCHCOCK


Há exatos 26 anos morria o cineasta Alfred Hitchcock. Como analisar a sua extensa filmografia não é tarefa para amador, procuramos em Curitiba admiradores gabaritados para falar sobre o assunto. O resultado você pôde conferir nesta série de artigos sobre a obra do diretor. Nosso especial termina hoje, com “Um Corpo que cai”, clássico dissecado a seguir pelo jornalista Alessandro Andreola.

UM CORPO QUE CAI



Foto Marcelo Dallegrave


“Neste Filme, Hitch leva sua obsessão às últimas conseqüências”




A questão central do cinema de Hitchcock é a busca da identidade. Porém, em mais de 40 estudos sobre o tema, nada se aprofunda mais do que “Um Corpo Que Cai” (Vertigo/1958). Hitch estava no auge – só faria mais dois filmes fundamentais, “Psicose” e “Os Pássaros”, – e aqui leva sua obsessão às últimas conseqüências.

James Stewart, por conta de um trauma que o leva a ter medo de altura, é escolhido para ser o peão de um intricado golpe para acobertar um assassinato. O ator símbolo do bom mocismo dos filmes de Frank Capra embarca em uma egotrip paranóica ao encontrar uma mulher que julgava morta. Entram em questão não apenas os valores típicos da filmografia de Hitchcock, mas a pergunta fundamental que motiva a sétima arte: o que é verdade?

“Um Corpo Que Cai” é um quebra-cabeça que ganha forma magistral por meio da parceria de Hitch com o artista gráfico Saul Bass – parceria essa que eles repetiriam em “Psicose”. A ousada seqüência do pesadelo foi elaborada por Bass com a fotografia estourada e o uso de animação, tornando-se o ápice da tradução em imagem da agonia do personagem principal. O retrato preciso das emoções dos personagens é um dos elementos que fazem do filme um dos mais complexos trabalhos do diretor.

E como um bom filme de Hitchcock, tudo termina de maneira bastante apropriada – com um grito, literalmente.

Alessandro Andreola, o Great, é jornalista, formado pela Universidade Federal do Paraná, especialista em cinema pela Universidade Tuiuti e dj. Foi palestrante do PUTZ - Festival Universitário de Cinema e Vídeo de Curitiba, crítico de cinema do Jornal do Estado e do site Bonde.

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