31/01: Palacete Matarazzo resgata trajetória de Jaguariaíva
Category: General
Posted by: Melissa Medroni
fotos: theo marques
Quando o painel do carro marcou 700 quilômetros rodados chegamos à cidade de Jaguariaíva. Com alguma dificuldade, encontramos o casarão que serviu de residência ao conde Matarazzo na primeira metade do século 20 e onde em breve um museu vai expor os pertences da família que trouxe o progresso para a região.
Depois de cumprir mais uma etapa da missão, nos aventuramos pelo que deve ser um dos piores trechos de estrada do Paraná, a PR 92 entre Jaguariaíva e Venceslau Bráz, e felizmente sobrevivemos para contar mais essa história.

jaguariaíva (rio da onça brava)
Em uma viagem de trem entre São Paulo (SP) e Antonina (PR), o conde Francisco Matarazzo mandou parar a locomotiva. Queria ver de perto a cachoeira rodeada de porcos que avistara da janela. Estavam próximos da divisa entre os dois estados.
O conde somou três mais três: com os suínos poderia montar um frigorífico; com a água, uma usina para gerar energia ao negócio; e com a proximidade com o estado vizinho poderia escoar a produção. Assim começou o período de desenvolvimento da cidade de Jaguariaíva, em 1918.

frigorífico matarazzo, construção que hoje abriga várias pequenas empresas
O conde só aparecia uma vez por ano para conferir andamento do frigorífico – ele possuía um total de 366 empresas em todo o país, ainda que visitasse uma por dia não daria conta do recado. Mesmo assim, mandou construir atrás do empreendimento uma casa tão grande para os padrões da época que ficou conhecida na cidade como o Palacete.

Para se ter uma idéia da grandiosidade da obra, todos os cômodos tinham um banheiro – inclusive o quarto dos motoristas e o dos empregados que acompanhavam o conde na sua estadia.
É esta casa, mantida durante os 50 anos em que o conde teve negócios na cidade, que vai abrigar o Museu Palacete Matarazzo, que deve estar pronto para exibir seu acervo a partir do segundo semestre de 2006. A área foi recentemente reformada e doada ao município por uma empresa da região.
A Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, que funciona no local, tenta resgatar os objetos que pertenceram à família e pesquisa o mobiliário de época para decorar o interior.
Colonizadores
A história de Jaguariaíva é, no entanto, bem anterior ao dia em que conde Matarazzo mandou parar o trem. No dia 15 de setembro deste ano a cidade completa 183 anos. Tudo começou quando o Coronel Luciano Carneiro Lobo, então como mais de 50 anos, casou-se com Isabel Branco e Silva, uma menina que ainda não completara 15 anos, e com ela foi morar na Fazenda Jaguariaíva, um antigo pouso de tropeiros.
Se a diferença de idade foi um problema na época, na posteridade isso foi resolvido em favor do cabeça da família: a imagem que o imortalizou o mostra jovem e impecável em seu uniforme, enquanto dona Isabel é comumente apresentada como uma senhora encurvada e grisalha.
Pelo menos a pracinha da Igreja Senhor Bom Jesus da Pedra Fria, padroeiro da cidade, ao redor da qual cresceu o povoado de Jaguariaíva, presta devida homenagem a dona Isabel, dividindo com ela o mesmo nome. Hoje a pacata pracinha é o centro do núcleo residencial do município, conhecido como cidade alta. A parte da cidade que fica ao pé do declive, onde o Matarazzo construiu o frigorífico, tornou-se pólo industrial.

no topo da cidade , a antiga prefeitura/xilindró/fórum/salão de baile

Desde que, na década de 60, o governo federal passou a oferecer abatimento no imposto de renda para quem plantasse pinus, a região, que tinha solo ruim para agricultura, tornou-se pólo madeireiro. Dos tropeiros que pousavam na região nos séculos 18 e 19 à instalação do coronel Carneiro Lobo e à passagem do conde Matarazzo, Jaguariaíva passou por muitas transformações, cujas marcas complementam os atrativos naturais da cidade.
Quando o painel do carro marcou 700 quilômetros rodados chegamos à cidade de Jaguariaíva. Com alguma dificuldade, encontramos o casarão que serviu de residência ao conde Matarazzo na primeira metade do século 20 e onde em breve um museu vai expor os pertences da família que trouxe o progresso para a região.
Depois de cumprir mais uma etapa da missão, nos aventuramos pelo que deve ser um dos piores trechos de estrada do Paraná, a PR 92 entre Jaguariaíva e Venceslau Bráz, e felizmente sobrevivemos para contar mais essa história.

jaguariaíva (rio da onça brava)
Em uma viagem de trem entre São Paulo (SP) e Antonina (PR), o conde Francisco Matarazzo mandou parar a locomotiva. Queria ver de perto a cachoeira rodeada de porcos que avistara da janela. Estavam próximos da divisa entre os dois estados.
O conde somou três mais três: com os suínos poderia montar um frigorífico; com a água, uma usina para gerar energia ao negócio; e com a proximidade com o estado vizinho poderia escoar a produção. Assim começou o período de desenvolvimento da cidade de Jaguariaíva, em 1918.

frigorífico matarazzo, construção que hoje abriga várias pequenas empresas
O conde só aparecia uma vez por ano para conferir andamento do frigorífico – ele possuía um total de 366 empresas em todo o país, ainda que visitasse uma por dia não daria conta do recado. Mesmo assim, mandou construir atrás do empreendimento uma casa tão grande para os padrões da época que ficou conhecida na cidade como o Palacete.

Para se ter uma idéia da grandiosidade da obra, todos os cômodos tinham um banheiro – inclusive o quarto dos motoristas e o dos empregados que acompanhavam o conde na sua estadia.
É esta casa, mantida durante os 50 anos em que o conde teve negócios na cidade, que vai abrigar o Museu Palacete Matarazzo, que deve estar pronto para exibir seu acervo a partir do segundo semestre de 2006. A área foi recentemente reformada e doada ao município por uma empresa da região.
A Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, que funciona no local, tenta resgatar os objetos que pertenceram à família e pesquisa o mobiliário de época para decorar o interior.
Colonizadores
A história de Jaguariaíva é, no entanto, bem anterior ao dia em que conde Matarazzo mandou parar o trem. No dia 15 de setembro deste ano a cidade completa 183 anos. Tudo começou quando o Coronel Luciano Carneiro Lobo, então como mais de 50 anos, casou-se com Isabel Branco e Silva, uma menina que ainda não completara 15 anos, e com ela foi morar na Fazenda Jaguariaíva, um antigo pouso de tropeiros.
Se a diferença de idade foi um problema na época, na posteridade isso foi resolvido em favor do cabeça da família: a imagem que o imortalizou o mostra jovem e impecável em seu uniforme, enquanto dona Isabel é comumente apresentada como uma senhora encurvada e grisalha.
Pelo menos a pracinha da Igreja Senhor Bom Jesus da Pedra Fria, padroeiro da cidade, ao redor da qual cresceu o povoado de Jaguariaíva, presta devida homenagem a dona Isabel, dividindo com ela o mesmo nome. Hoje a pacata pracinha é o centro do núcleo residencial do município, conhecido como cidade alta. A parte da cidade que fica ao pé do declive, onde o Matarazzo construiu o frigorífico, tornou-se pólo industrial.

no topo da cidade , a antiga prefeitura/xilindró/fórum/salão de baile

Desde que, na década de 60, o governo federal passou a oferecer abatimento no imposto de renda para quem plantasse pinus, a região, que tinha solo ruim para agricultura, tornou-se pólo madeireiro. Dos tropeiros que pousavam na região nos séculos 18 e 19 à instalação do coronel Carneiro Lobo e à passagem do conde Matarazzo, Jaguariaíva passou por muitas transformações, cujas marcas complementam os atrativos naturais da cidade.

Mathieu Bertrand Struck wrote: