A invenção é antiga, baseia-se no princípio da câmara escura de Aristóteles, mas até hoje é inovadora. Batizado de pinhole (buraco de agulha) pelo cientista inglês David Brewster, no século 19, o processo de fotografar com materiais alternativos - como uma caixa de sapatos ou uma lata de leite em pó – sem a utilização de lentes é mais econômico e pode ser até mais versátil do que os convencionais.




Uma de suas características é proporcionar uma profundidade de campo quase infinita, mantendo um foco suave em todos os planos da cena. Por estes e outros atributos, é uma boa alternativa para criações fotográficas artísticas, além de uma excelente ferramenta educacional.



O pinhole é o tema que os fotógrafos Theo Marques e Roberta Bernine ministram no Educação com Ciência - projeto que promove oficinas científicas, tecnológicas e culturais para alunos da rede estadual de ensino do Paraná - e foi a técnica utilizada neste ensaio, produzido nas ruas do centro de Curitiba e na casa do fotógrafo.







Material
Para este trabalho foi utilizada uma lata de sorvete de 15 centímetros de diâmetro vedada, cujo interior foi forrado com papel preto. A captação da imagem deu-se através de um pequeno furo (diafragma), feito com uma agulha em uma das laterais. Na extremidade oposta foi colocado o papel fotográfico.

O furo na lata ou caixa deve ser tampado por uma fita adesiva preta, que serve como um dispositivo de controle (obturador) do tempo de exposição – que variou, neste ensaio, de 6 segundos a 2 minutos. Há uma fórmula para calcular o tamanho ideal do furo de acordo com a distância em que o papel ou filme estão colocados, um furo muito grande pode desfocar a imagem.

No pinhole, pelo tamanho do papel e da lata pode-se calcular qual seria a lente equivalente em uma câmera convencional 35mm. “A minha lata faz fotos quase na perspectiva de uma 24mm”, explica Theo. O efeito de grande angular nas fotografias é conseqüência da posição em que o papel é colocado na câmera, com as laterais mais próximas ao diafragma.

Como utilizou somente uma lata, o fotógrafo teve que voltar para casa após cada fotografia, para retirar o papel fotográfico em um ambiente escuro. “Montei um laboratório no meu quarto”, conta, explicando que, para isso, utilizou uma lâmpada vermelha de 15 w, 3 bandejas para revelação, papéis Kodabrome F3, revelador Dektol e fixador Polimax, todos da marca Kodak. Como a imagem obtida com o processo é negativa, para chegar ao resultado apresentado neste trabalho o fotógrafo scaneou as fotos e fez a inversão no computador, no Photoshop. Mas o processo pode ser feito artesanalmente também, através de uma cópia por contato. Para isto, basta colocar a foto negativa sobre um papel virgem, cobrir com um vidro e acender a luz. Após alguns testes, chega-se ao tempo ideal. Assim como no momento em que a foto é tirada, a exposição para fazer o positivo deve ser precisa, evitado que a cópia fique com pouco contraste (lavada) ou que passe do ponto (velada).

Melissa Medroni e Theo Marques

Fontes
http://www.eba.ufmg.br/cfalieri
http://www.pinhole.org