fotos de Edson Kumasaka

Careqa é compositor, músico e cantor cabeludo, dono de um humor refinado e instigante, conhecedor das mazelas do Brasil e do amor, que há muito batalha para provocar alegrias ou tristezas em quem o escuta, vê ou interpreta. Ele apresenta o show de lançamento do cd Pelo Público, gravado ao vivo no ano passado, no dia 15 de abril, no Teatro do Sesc Ipiranga, em São Paulo. Carlos Careqa cedeu essa entrevista exclusiva ao Plano B, na qual fala sobre música.




O que é o seu novo disco, Pelo Público?
Pelo Público é um trabalho que desenvolvi em 1990 quando cheguei aqui em São Paulo, com uma banda enxuta, Power Trio, Baixo, Guitarra e Bateria. Depois não consegui gravar o que fazíamos naquela época, e parti para o meu segundo disco, o Música para Final de Século. Aquilo ficou engavetado, esperando a hora certa para ser registrado em disco, pois é um trabalho que eu gosto muito. O Sesc Ipiranga aqui de SP, me ofereceu uma data para dois shows no ano passado em outubro e eu gravei então ao vivo. Fui para o estúdio e dei uma “garibada” no trabalho, que ficou muito joiado. São todas músicas inéditas, exceto uma regravação de Psycho Killer e Saudosa Maloca, que chamo de Psycho Maloca no disco. O resto é tudo inédito, nunca foi gravado, por mim.

Por que Pelo Público?
Acho que esse trabalho tem uma afinidade muito direta com o público. Não tem meio termo, é gostar ou não. Depois tem o trocadilho do Pentelho, mesmo. Acho que, às vezes, sou um Pelo Público mesmo.



Qual o significado da máscara de mergulho das fotos?
Sei lá. Eu achei legal fazer esta foto. Pode-se buscar mil significados. Talvez um mergulho no passado. Talvez um cara diferente no meio da multidão?

É a demonstração do seu humor nato, aquele humor que você sempre diz que provoca um delicioso ‘riso interno’ nas pessoas?
Também tem esta possibilidade. Eu quero é provocar sempre. Alegrias e tristezas.



Onde está Curitiba no seu trabalho ainda hoje?
Sempre vai ter Curitiba no meu trabalho e na minha vida. Tem o Beijo AA Força, o Maxixe Machine, a Grande Garagem que Grava, o Thadeu W., o Oswaldo Rios, o Adriano Satiro. Muita gente nova como o Alexandre Nero. Curitiba sempre tem gente boa fazendo arte.

O que te interessa em música hoje?
Estou estudando música. Harmonia e percepção, pois percebi (?) que precisava me reciclar. Então tudo me interessa. Música Clássica em especial. Agora mesmo estava ouvindo o Taiguara. Genial. Dorival Caymi com aqueles discos de 1967, que arranjos. Maravilhoso. Tom Waits sempre. Anthony and the Johnsons!!!



Como é o reconhecimento da sua música?
Devagar e sempre. Fiz o projeto Pixinguinha no ano passado, foi muito legal. Fizemos oito shows maravilhosos com estrutura e coisa e tal. Tenho trabalhado sempre. Não estou no show business, mas busco outros espaços. O Sesc de SP é maravilhoso nesse ponto.

Como é um dia na vida de Carlos Careqa?
Acordar, café, almoço, dormir, jantar, compor e decompor.

Você começou cantando em programa de calouros. Qual o balanço da sua carreira nesses anos todos?
Eu comecei aí em Curitiba, num programa hoje extinto do Mario Vendramel! Ainda é cedo pra fazer balanço. Tô trabalhando muito.

Você faz teatro hoje em dia também?
Infelizmente não. Mesmo porque, quero me dedicar mais à música, tem muita gente fazendo teatro e muita gente boa. Então não precisa, né?

Se nome “oficial” é Carlos de Souza. Como aconteceu o Careqa?
Pois esta história eu já contei muito. Foi um castigo do meu querido pai, que era barbeiro. Com 12 anos eu fiquei careca e aí não parou mais. Depois com a Cabala resolvi mudar para Careqa. E assim ficou!

Quem é o Carlos Careqa?
Um menino, que sonha com um mundo melhor e tenta melhorar este mundo a cada dia.

Serviço
Show de lançamento do cd Pelo Público
Carlos Careqa
Dia 15 de abril, sábado
Às 21 horas
SESC Ipiranga (Rua Bom Pastor, 822, Ipiranga)
São Paulo
www.carloscareqa.com