Depois de passar a manhã no Museu do Tropeiro de Castro, partimos para a cidade vizinha de Piraí do Sul, com destino ao Museu Municipal. Ali conferimos um pouco da história desta hospitaleira cidade, acompanhados de uma equipe da Rede Paranaense de Televisão, destacada de Ponta Grossa para cobrir o trabalho da nossa expedição.

fotos: Theo Marques

matriz

Antiga parada dos tropeiros que transportavam muares das pastagens do Rio Grande do Sul para a feira de Sorocaba, em São Paulo, no início do século 19, Piraí do Sul hoje é conhecida por suas belezas naturais e sítios arqueológicos.

O que pouca gente sabe é que, além das cachoeiras e pinturas rupestres, a cidade de 22 mil habitantes também preserva muita história, contada através de objetos pessoais dos antigos moradores, expostos no Museu Municipal de Piraí do Sul.


acervo montado com doações da comunidade


Situado no número 171 da Rua 5 de Março, o museu abriga um acervo conquistado, em boa parte, pelo esforço do secretário municipal da Cultura e Turismo, o agrônomo descendente de libaneses Ebrahim Curi. É ele quem organiza todos os anos, em parceria com outras secretarias, gincanas que estimulam a população a revirar seus baús a procura de objetos que ajudem a contar a história do município.

Com esta brincadeira foram resgatados antigos utensílios de cozinha, máquinas de escrever, moedas, relógios e peças religiosas, entre outros itens, como réplicas do Santuário de Nossa Senhora das Brotas.



O santuário original foi construído no local onde acredita-se ter acontecido um milagre do frei Antônio Sant’Ana Galvão, que está prestes a ser o primeiro brasileiro canonizado pelo Vaticano. Em 1808, de passagem pela rota dos tropeiros, frei Galvão presenteou uma imagem de Nossa Senhora das Barracas a uma viúva que lhe oferecera pouso.

A senhora, agradecida, mandou fazer uma moldura de madeira para a imagem que trazia no verso os dizeres “Venerai esta estampa porque ela é muito milagrosa”.

Infelizmente, durante a mudança para Piraí do Sul, onde fora morar com o segundo marido, a senhora perdeu a imagem. Até que, durante uma caminhada por uma área devastada pelas queimadas, que preparavam a terra para a pastagem, a senhora reencontrou, nos brotos de vegetação, a estampa com a moldura destruída pelo fogo, mas a imagem da santa intacta.

Com a divulgação do feito, que foi considerado um milagre de frei Galvão, os tropeiros passaram a orar no local, que se tornou o Santuário de Nossa Senhora das Brotas.


igreja construida no local do suposto milagre



crianças brincam em frente ao predio do conselho tutelar, que antigamente abrigava a prefeitura/fórum/xilindró de Piraí do Sul


Para continuar contando essas e outras histórias, o museu de Piraí do Sul aguarda a reforma de um casarão histórico para abrigar a sua sede, que hoje funciona provisoriamente na Rua 5 de março.

Sabedoria Tropeira
Para dor de cabeça, rodelas de batata na testa, para puxar o calor.
(fonte: canteiro de ervas do Museu do Tropeiro)