Fotos Marcelo Dallegrave


Eles são jovens de classe média, têm acesso à Internet, formação acadêmica e escolheram os espaços públicos como suporte para as suas manifestações artísticas. Os autores dos cartazes (lambes) e adesivos (stickers) colados nos muros de Curitiba são parte de um movimento mundial, que procura fazer arte apropriando-se do cotidiano da cidade.



Controverso e desordenado, o movimento que, assim como a Pop Art de Andy Warhol, tem o interesse de tornar a arte menos elitista, nem sempre é visto com bons olhos pela população, principalmente quando o suporte escolhido para os trabalhos são as placas da sinalização urbana.



Mas o julgamento popular de que os cartazes e adesivos não passam de sujeira e poluição visual é o mesmo que rejeitou o desenvolvimento do graffiti no Brasil, nos anos 80, manifestação que depois ganhou até as galerias de arte e estampas em produtos manufaturados e tornou célebres alguns de seus expoentes.



Os próprios autores dos cartazes e adesivos têm dúvidas sobre a legalidade de algumas intervenções urbanas. “Depende do propósito do autor, do conteúdo do cartaz e de onde ele é colado”, explica um artista, em uma entrevista concedida no início de 2005, durante uma intervenção em um posto de gasolina abandonado no bairro Mercês.



Mas estar à margem do sistema não é um problema para estas pessoas, que se inspiram no Situacionismo, movimento que contestou a arte tradicional, teve Guy Debord, autor de “A Sociedade do Espetáculo”, como um de seus principais representantes e é comumente associado à cena punk inglesa.



Na rede
A intensidade com que os cartazes e adesivos aparecem na cidade aumentou consideravelmente há cerca de um ano. Curitiba foi uma das participantes do Ataque Positivo, movimento que promoveu intervenções de artes visuais simultâneas em várias cidades brasileiras, em outubro de 2004.



A comunicação entre estes artistas, geralmente organizados em coletivos, é feita principalmente pela Internet. Os mesmos trabalhos que são colados nas ruas são atração dos fotologs (blogs de fotografias) dos autores, que interligam as suas páginas na Internet com as de outros artistas locais e de outros países.