22/09: Por acaso Perugia
Category: Turismo
Posted by: Melissa Medroni
fotos Marcelo Dallegrave

Saímos de Roma no dia do meu aniversário de 26 anos. A idade era o que menos pesava naquela manhã, quando carregava uma mochila de mais de 20 quilos nas costas. Nossa bagagem aumenta a cada cidade por que passamos. Por mais que esta seja uma viagem econômica, não resistimos a vontade de levar lembranças para casa e para as pessoas queridas, as quais ficamos ainda mais apegados com a distância. Pois bem. Foi com o peso da saudade e das lembrancinhas que comecei o dia 15 de setembro. O destino escolhido para a ocasião foi Perugia, na região da Umbria, meio do caminho entre Roma e Florença, onde estamos agora. Naquela data, além de completar mais um ano de vida, completamos a primeira metade de uma viagem a dois, já que o Marcelo volta para o Brasil um mês antes do que eu. Por estes e outros motivos, aquele era um dia especial. E talvez justamente por isso aquele foi um dos poucos dias para o qual eu não havia programado nada, nem mesmo aonde nós iríamos dormir. Apostei no acaso e não me arrependi....

Chegamos em Perugia certos de que encontraríamos já na estação um serviço de reserva de hotéis, como é de praxe nas principais cidades turísticas italianas. Mas esse serviço não existe em Perugia, cuja estação não tem mais facilidades do que a rodoviária de Ponta Grossa, por exemplo. Depois de alguns gritos, que até agora acredito que não foram para mim, o funcionário da empresa de transporte público local nos aconselhou a pegar um ônibus até a praça Itália, no coração da cidade, onde seria mais fácil encontrar um hotel. E lá fomos nós, com um total de 45 quilos nas costas, mais os meus 56 e os 85 do Marcelo, subir as ladeiras íngremes de Perugia em um ônibus da linha urbana. Não sei se por inabilidade do motorista ou se por nossa culpa, o ônibus parecia que ia voltar de ré ladeira abaixo a cada curva. Nada que assustasse um casal acostumado ao perigo como nós, que viajamos rezando no avião de Barcelona a Roma sob uma chuva forte, dois dias depois da região da Catalunha ter sofrido uma série de tornados.

Descontraídos, aproveitamos o passeio montanha acima para conversar com os habitantes locais que, para nossa surpresa, não demonstraram a mesma rispidez dos italianos que vivem nas grandes cidades. Ao contrário, um dos passageiros nos indicou um hotel, enquanto o segundo, um rapaz com os cabelos arrepiados com gel e meia dúzia de piercings no rosto, se ofereceu para nos levar até o hotel indicado, que ficava no seu caminho. Confiamos na boa vontade deles e mais uma vez não nos arrependemos.

Nosso informante nos levou até um casarão medieval, atrás do Palácio dei Priori, antiga prefeitura da cidade. Por dentro do edifício de pedra, que em um período distante, provavelmente no século XV, abrigou uma família burguesa, funcionava um hotel inteiramente reformado. Simples, de acordo com os padrões de dois mochileiros, mas extremamente confortável para quem só tinha dormido em quartinhos de albergue até então. Além de muito mais espaço do que estávamos acostumados, nosso quarto tinha uma linda sacada, de onde escrevi alguns dos textos publicados aqui, que dava para uma típica ruela medieval.

Nunca o acaso tinha sido tão generoso. Perugia parece o cenário de um filme. Abriga milhares de estudantes que freqüentam a universidade para estrangeiros. Perugia lembra cidades mineiras como Ouro Preto, com suas ladeiras históricas e casas empilhadas, que ficam douradas ao entardecer. Assim como Ouro Preto, Perugia é freqüentada principalmente por turistas e estudantes e por isso não falta movimento nas praças e bares à noite. Foi neste cenário que eu passei meu aniversario, numa festa longe de casa e dos amigos, mas inesquecível.
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Saímos de Roma no dia do meu aniversário de 26 anos. A idade era o que menos pesava naquela manhã, quando carregava uma mochila de mais de 20 quilos nas costas. Nossa bagagem aumenta a cada cidade por que passamos. Por mais que esta seja uma viagem econômica, não resistimos a vontade de levar lembranças para casa e para as pessoas queridas, as quais ficamos ainda mais apegados com a distância. Pois bem. Foi com o peso da saudade e das lembrancinhas que comecei o dia 15 de setembro. O destino escolhido para a ocasião foi Perugia, na região da Umbria, meio do caminho entre Roma e Florença, onde estamos agora. Naquela data, além de completar mais um ano de vida, completamos a primeira metade de uma viagem a dois, já que o Marcelo volta para o Brasil um mês antes do que eu. Por estes e outros motivos, aquele era um dia especial. E talvez justamente por isso aquele foi um dos poucos dias para o qual eu não havia programado nada, nem mesmo aonde nós iríamos dormir. Apostei no acaso e não me arrependi....
Chegamos em Perugia certos de que encontraríamos já na estação um serviço de reserva de hotéis, como é de praxe nas principais cidades turísticas italianas. Mas esse serviço não existe em Perugia, cuja estação não tem mais facilidades do que a rodoviária de Ponta Grossa, por exemplo. Depois de alguns gritos, que até agora acredito que não foram para mim, o funcionário da empresa de transporte público local nos aconselhou a pegar um ônibus até a praça Itália, no coração da cidade, onde seria mais fácil encontrar um hotel. E lá fomos nós, com um total de 45 quilos nas costas, mais os meus 56 e os 85 do Marcelo, subir as ladeiras íngremes de Perugia em um ônibus da linha urbana. Não sei se por inabilidade do motorista ou se por nossa culpa, o ônibus parecia que ia voltar de ré ladeira abaixo a cada curva. Nada que assustasse um casal acostumado ao perigo como nós, que viajamos rezando no avião de Barcelona a Roma sob uma chuva forte, dois dias depois da região da Catalunha ter sofrido uma série de tornados.
Descontraídos, aproveitamos o passeio montanha acima para conversar com os habitantes locais que, para nossa surpresa, não demonstraram a mesma rispidez dos italianos que vivem nas grandes cidades. Ao contrário, um dos passageiros nos indicou um hotel, enquanto o segundo, um rapaz com os cabelos arrepiados com gel e meia dúzia de piercings no rosto, se ofereceu para nos levar até o hotel indicado, que ficava no seu caminho. Confiamos na boa vontade deles e mais uma vez não nos arrependemos.
Nosso informante nos levou até um casarão medieval, atrás do Palácio dei Priori, antiga prefeitura da cidade. Por dentro do edifício de pedra, que em um período distante, provavelmente no século XV, abrigou uma família burguesa, funcionava um hotel inteiramente reformado. Simples, de acordo com os padrões de dois mochileiros, mas extremamente confortável para quem só tinha dormido em quartinhos de albergue até então. Além de muito mais espaço do que estávamos acostumados, nosso quarto tinha uma linda sacada, de onde escrevi alguns dos textos publicados aqui, que dava para uma típica ruela medieval.
Nunca o acaso tinha sido tão generoso. Perugia parece o cenário de um filme. Abriga milhares de estudantes que freqüentam a universidade para estrangeiros. Perugia lembra cidades mineiras como Ouro Preto, com suas ladeiras históricas e casas empilhadas, que ficam douradas ao entardecer. Assim como Ouro Preto, Perugia é freqüentada principalmente por turistas e estudantes e por isso não falta movimento nas praças e bares à noite. Foi neste cenário que eu passei meu aniversario, numa festa longe de casa e dos amigos, mas inesquecível.
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felipe prando wrote:
acabei de descobrir essa viagem. puta que o pariu, que vontade de viajar.
siga por ae. se puder va ao sul da italia.