31/03: Rock com sotaque
Category: Música
Posted by: Melissa Medroni
Foto Luis Castello Branco

Há oito anos na estrada, a banda alagoana Xique Baratinho, conhecida pela mistura de influências regionais com o rock, começa 2006 com o pé direito. O grupo retomou a agenda de shows e se apresentou, no último final de semana, na primeira edição do FMI - Festival da Música Independente de Alagoas. Em entrevista exclusiva, o vocalista Lelo Macena revela os planos da banda e relembra a turnê realizada pelo Sul do país em 2003, que contou com apresentações memoráveis nos palcos curitibanos.
Qual é a importância de um evento como o Festival de Música Independente para Alagoas?
O FMI é um sonho antigo das bandas locais. Alagoas era o único estado do Nordeste que não conseguia realizar um evento de porte, envolvendo grupos independentes. É uma oportunidade para as bandas alagoanas apresentarem seus trabalhos e ainda dividirem o palco com nomes importantes da cena nacional (Tom Zé abriu o evento). Um verdadeiro estímulo, uma injeção de ânimo e a possibilidade de fortalecermos a nossa produção. A primeira edição, realizada no último fim de semana, foi muito bem sucedida. Tanto que a segunda, marcada para 2007, já está confirmadíssima.
Foi pelo porte do evento que vocês resolveram retomar as atividades da banda?
Não. Lógico que o evento foi mais uma instigação, mas a idéia de voltar a fazer shows já vinha futucando a gente desde o final do ano passado. Paramos em 2005 para cuidarmos um pouco de nossas vidas, pagar as contas pessoais, cuidar um pouco do lado profissional e dar um tempo mesmo. Estávamos meio que enjoados um da cara do outro. Mas voltamos agora em 2006, fizemos alguns shows em janeiro e temos outros agendados nesse primeiro semestre.
Foto Marcelo Albuquerque

Lelo Macena no FMI, em Maceió
Novas excursões, como a que vocês fizeram pelo Sul do Brasil em 2003, estão nos planos da banda?
Temos alguns projetos. Atualmente estamos trabalhando na produção de um show em Lençóis, na Chapada Diamantina, que, se tudo der certo, deve acontecer em junho. Também queremos realizar mais uma viagem daquela que fizemos para o Sul, só que desta vez subiremos o mapa e o Norte/ Nordeste deve ser o nosso destino.
Que balanço vocês fizeram daquela experiência?
Foi uma experiência alucinante. Quase 10 mil quilômetros rodados. Uma iniciativa que nos trouxe muita coisa positiva. Conseguimos mostrar nosso trabalho em vários lugares e conhecemos muita gente. Até hoje mantemos esse contato com o público que de certo modo gostou da nossa música. A prova disso é essa entrevista para O Plano B. Cara, o Projeto Xique Baratinho no Sul foi inesquecível pra banda. Até hoje, a gente morre de rir lembrando das doideiras daqueles 30 dias totalmente on the road.
Foto Theo Marques

Xique Baratinho no palco do 92º, em Curitiba, em 2003
Que diferenças vocês encontraram entre a cena musical do Sul e a do Nordeste?
Olha, não saberia dizer exatamente quais são as diferenças. Na questão estética, grande parte das bandas nordestinas ainda continua explorando a diversidade rítmica das manifestações culturais da região. Ao mesmo tempo, vemos outros grupos totalmente desencanados dessa vertente regional e apontando para uma diversidade de estilos que tem caracterizado boa parte da produção.
E no Sul?
A veia roqueira dita os rumos da cena. Pelo menos é o que nos chega por aqui. Posso até citar o caso do Cachorro Grande, que deu uma estourada no último ano. Mas creio que a diferença principal é mesmo geográfica. As coisas aí são mais fáceis. Vocês estão mais próximos do eixo Rio/São Paulo, onde tudo acontece, e ainda possuem o trunfo de criar a própria cena e ter dentro do estado o público consumidor, como é o caso do Rio Grande do Sul, onde o movimento é forte, independente do que esteja acontecendo no Rio de Janeiro e em São Paulo.
Que bandas vocês conheceram e gostaram aqui em Curitiba?
Nós tocamos com o Wadeco e os Astronautas e com o Bad Folks, duas grandes bandas. O Guto, baixista do Bad Folks, também foi uma figura importantíssima para a nossa viagem à Curitiba, desde quando estávamos ainda planejando tudo aqui em Maceió.
Ainda mantém contato com os músicos daqui? Rolou algum tipo de intercâmbio?
Infelizmente não. Mas acompanhamos por aqui a correria da galera. Outro dia vimos o Bad Folks na MTV e ficamos torcendo para que tudo dê certo na carreira deles, pois os caras merecem. Embora a gente não se comunique, temos certeza de que existe a brodagem e esperamos retribuir toda a cortesia que nos dispensaram aí.
É verdade que vocês estão na trilha do filme “Mulheres do Brasil"?
É verdade. Mesmo sem fazer shows no ano passado, fomos convidados para trabalhar em algumas trilhas de filmes. Fizemos a direção musical dos dois documentários vencedores das duas edições do Doc TV Alagoas, “Imagem Peninsular”, de Lêdo Ivo, sobre o poeta alagoano, e “História Brasileira da Infâmia – Parte I”, os dois de autoria de Werner Salles.
Quanto a “Mulheres do Brasil”, foi uma escolha pessoal da diretora, a Malu de Martino. Quando ela estava filmando aqui em Maceió ouviu nosso som e escolheu a música “Arataca” (uma releitura do ritmo regional coco de embolada) para fazer parte da trilha. Aí fizemos uma versão instrumental especialmente para o filme.
Vocês voltaram a compor? Existem planos para um novo disco?
Sim. Já temos algumas novas composições que devem fazer parte do nosso segundo CD. Ainda não temos previsão de lançamento, mas até o final do ano deveremos estar colocando no mercado.
O Xique Baratinho é formado por Railton Sarmento (flauta e vocal), Aldo Jones (guitarra e vocal), Lelo Macena (guitarra e vocal) e Tárcio Rodrigues (bateria).
Para saber mais sobre a banda acesse:
www.mp3magazine.com.br
www.tramavirtual.com.br
www.fmimaceio.com.br

André Frazão wrote: