19/08: Rock Gordura apresenta: Na cadência do rap
Category: Música
Posted by: Leandro Mazzetto

Foram 17 anos de rap, jazz rap e outras confusões musicais. Quando a banda Frutos Madurinhos do Amor não tinha mais para onde ir, Caio Marques viu-se diante de um repertório extenso que corria o risco de cair no esquecimento. Decidiu gravá-lo em casa, sozinho, para “chegar mais próximo do que queria quando compôs as músicas, solitariamente, no seu processo criativo” e assim surgiu o primeiro disco solo do músico, com lançamento previsto para o dia 26 de agosto, na inauguração do mais novo espaço cultural de Curitiba, a Joaquim Livraria. Entre cervejas e pães com bolinho, Caio conversou com a equipe do Plano B em um fim de tarde chuvoso no Bek's Bar. O resultado foi uma entrevista descontraída sobre música, teatro e Curitiba.
Confira a seguir, no primeiro entrevistão Rock Gordura, realizado por Melissa Medroni, Melissa Crocetti, Leandro Mazzetto e o fotógrafo Marcelo Dallegrave.

foto Leandro Mazzetto
Como surgiu a idéia do disco solo?
Durante muitos anos fui da banda Frutos Madurinhos do Amor, junto com o Guto (a base do grupo, que teve diversas formações, era Caio e Guto Gevaerd). A gente começou em 1989 e desde o começo fizemos um negócio ligado ao rap, jazz rap, que era um negócio que a gente gostava. Daí acabou o Frutos, mas havia um repertório, principalmente dessa última fase, e resolvi gravar parte dessas músicas em casa. Não queria fazer um disco solo, queria registrar. Hoje em dia a gente tem essa facilidade, não precisa mais de um estúdio. É um registro audível, não é uma superprodução profissional, não é um trabalho que toque em qualquer rádio, é um trabalho que tem suas limitações técnicas, mas se tem um registro.
Quando o registro virou disco?
De repente eu tinha 15 músicas no meu computador, registradas por mim, baixo, violão, bateria, voz, cuíca, tudo. Daí pensei, poxa, a gente gasta tanto dinheiro em bobagem, por que não gastar grana com a divulgação de um trabalho meu? Esse cd tem um conceito. É a minha obra, é como se eu tivesse lançando um livro, escrito uma tese de mestrado, acabei alguma coisa.
Por que você sozinho, sem as outras pessoas do grupo?
Porque foi acontecendo assim. Fui gravando em casa, foi ficando legal, foi ficando do jeito que eu queria. A dificuldade que tenho, talvez pela minha personalidade e pela personalidade dos meus parceiros, é que não tenho muito como mostrar para as pessoas o que quero que elas façam. Quando faço uma música no violão em casa sempre imagino como ela pode ficar. Mas quando estou em banda não consigo passar muito bem para as pessoas o que quero. Não posso brigar com o meu amigo de banda, que é meu amigo há anos, porque ele não quer fazer o que eu quero. Não tô pagando, ele não é meu empregado. Foi por causa disso que quis tocar sozinho.

“Daí pensei, poxa, a gente gasta tanto dinheiro em bobagem, por que não gastar grana com a divulgação de um trabalho meu?”
Como são as apresentações ao vivo desse disco?
É um pocket show, gravo todas as bases que fiz no computador em um cd, faço uma masterizaçãozinha, toco e canto em cima. Como um dj. O resultado é bem legal. É mais gratificante pra mim porque chego mais próximo do que queria quando compus as músicas, solitariamente, no meu processo criativo.
Vai ter um lançamento oficial?
O show de lançamento oficial vai ser na abertura da Joaquim Livraria. Vai ter show também num evento paralelo ao novo Curitiba Pop Festival, o Sonora Festival. Mas o que é legal mesmo desse disco não é tanto o show, mas o fato de poder ter uma resposta às músicas que faço. Pus na Internet e tem sempre alguém que ouve, que dá um retorno. Tem gente da França que ouve, da Escócia. É uma resposta que a gente nunca teve tocando só aqui em Curitiba.
Como as pessoas podem comprá-lo?
Tô distribuindo por enquanto. Quem quiser tem que mandar um e-mail pra mim (caio@ufpr.br). Ou entra no myspace, manda um recado, mando o cd com o maior prazer.
Você toca todos os instrumentos?
Sim, todos.
Você estudou todos os instrumentos?
Pra tocar você tem que dar uma estudadinha. O meu instrumento é o violão. Estudei violão clássico desde criança. Pra você tocar um instrumento tem que estudar. Punk rock é muito legal, propicia isso, de uma pessoa que não sabe tocar muito bem um instrumento mostrar a sua criatividade, que é o principal na música. Mas um pouco você tem que estudar. A falta de técnica propicia um estilo, uma garra, uma pegada, mas a pegada não é tudo. O feeling e a criatividade são fundamentais, mas a técnica também é.
Você acha que é por falta de técnica que muita coisa deixa de acontecer no cenário musical paranaense?
Acho. Não é, por exemplo, porque você está numa banda de punk rock que você tem que tocar mal. As músicas do Ramones têm bons vocais. Duas vozes. E eles sabem tocar, sabem o que estão fazendo, trabalharam para chegar naquele resultado. Até para gritar, você tem que saber gritar.
Os seus dois irmãos também tocam vários instrumentos. Isso começou com os seus pais?
Em casa todo mundo estudou piano clássico quando era criança. Os nossos amigos iam pro judô e a gente ia para a aula de música. Meu pai cantava em coral, tocava violão e baixo, minha mãe tocava piano. A música fez parte da nossa formação. É importante isso, eu também pretendo botar o Noel (o filho de Caio chama Noel) em uma escola de música.

“Bruce Springsteen e Bob Dylan foram o meu despertar para o rock”
E o folk, como apareceu na sua vida?
Na minha casa a gente sempre teve a formação de música clássica e MPB e... Chico Buarque... Caetano Veloso nunca rolou. Proibido. Eu gostava, mas meu pai não gostava. E daí na adolescência teve um fenômeno, o Bruce Springsteen. Ganhei uma grana, fui na Mesbla e comprei um disco do Bruce Springsteen. Eu adorava. Daí li uma vez, numa revista, que o Bruce Springsteen era fã do Bob Dylan. Daí tudo virou Bob Dylan pra mim, só comprava disco dele. Eu tinha 12 anos. O Bruce Springsteen e o Bob Dylan, que são folk rock, foram o meu despertar para o rock.
Sobre o que você fala nas letras das suas músicas? Pelos títulos parecem músicas de amor.
A idéia era pegar a atmosfera dos sambas antigos. É um conceito que vem do Frutos. Os sambas antigos sempre falam de amores desiludidos, de sofrimento. As músicas têm um clima festivo, mas as letras falam “você me deixou”, “você me abandonou”, “eu não vou chorar”, é uma tristeza só. É esse tipo de música que me fascina dentro da música popular brasileira. E as músicas que eu escolhi para esse disco todas elas falam, de alguma maneira, de noite, de você estar num bar, beber com os amigos. Não é um resgate, mas uma homenagem aos sambas antigos. Na verdade, a base do disco é o rap. Queria fazer um disco de rap. Porque acho que o rap é a música do futuro. É divertido, é de negão, é uma música que eu adoro, admiro as pessoas que fazem isso bem.
Quem faz rap bem?
Gosto do Common, Jurassic Five, The Streets e o Ghostface Killah, que é um cara mais antigo, mas agora lançou um disco novo que é sensacional, tem uns samplers de blues ridículos de bom. É isso aí que eu gosto.
E no Brasil?
Gosto do Marcelo D2 e alguma coisa ou outra dos Racionais.
O que é preciso para se fazer um bom rap?
O rap é basicamente ritmo e poesia. Fala-se que o rap não tem harmonia, mas na verdade tem, acredito que a base rítmica ligada à poesia já é uma harmonia. Não é a harmonia formal que a gente aprende em escola, mas existe a música. É mesma coisa que pegar um batuque africano, não tem instrumentos melódicos, mas aquilo é música. Não é a canção notabilizada na era do disco, desde que começou a produção fonográfica nos anos 10 e 20, quando se padronizou que música, canção popular, era uma coisa de mais ou menos três minutos que tinha um começo e um refrão que podia ser bem memorizado pelo público. O rap é uma ruptura a isso. Mas não deixa de ser uma canção, é uma evolução, que pode agregar vários elementos inusitados. As músicas nunca conversaram tanto entre si quanto no rap. Um disco de rap bem feito tem sampler de música clássica, de blues, de samba...

“O punk rock propicia à pessoa que não sabe tocar muito bem mostrar a sua criatividade, mas não é porque você está numa banda punk que você tem que tocar mal. Pra tocar você tem que estudar”
No rock existem os solos de guitarra. Existe solo no rap?
Digamos que tem os turntables, os djs que fazem aqueles uico, uico, uico (Caio imita o som do disco sendo manipulado pelo dj), que é o scratch. Tem djs que lançam discos só daquilo. Na verdade é um solo. Eles tocam notas com aquilo. É impressionante. O Kid Koala é um exemplo de quem sabe fazer isso bem.
Mudando um pouco de assunto. Você acha que é possível viver de música?
Não. Não, aqui em Curitiba.
Mas você não vê futuro pra nenhum artista, nenhuma banda daqui?
Sim, pra mim, lógico! Mas não aqui em Curitiba. Ficando em Curitiba é difícil. Sempre gostei de Curitiba e pretendo não deixar a cidade, mas pra você ter uma renda e viver disso – que é o sonho de todo mundo – é mais difícil... Embora tenha alguma coisa acontecendo, a Relespública, por exemplo, já tá conseguindo alguma coisa, os caras que estouraram aí, o Bonde do Rolê...
“Se você pensar bem, vamos falar em termos econômicos, o produto interno bruto da cena musical de Curitiba é insuficiente para todo mundo viver disso. É brigar por migalha”
O Bonde do Rolê estourou internacionalmente, inclusive...
Estouraram, e vão viver disso, nem que seja só por um tempo. Vão conseguir se capitalizar porque tem muita gente ouvindo a música deles.
O que você acha do fato do Bonde do Rolê ser uma banda de funk na região dos pinheirais?
Acho sensacional. É uma coisa totalmente non sense, porque aqui não tem funk. Os músicos que estão fazendo sucesso com o funk mundialmente são daqui. É a coisa mais engraçada que existe. Eles tiveram uma boa idéia. Eles fizeram um funk carioca, que é um estilo de música super divertido, eu também gosto, e botaram num ambiente meio indie, com uma roupagem indie. E provavelmente eles vão conseguir viver disso por um tempo. Não por causa de Curitiba. Mas porque eles realmente fizeram sucesso fora daqui. As pessoas que pretendem viver de música têm que sair daqui. Aqui não tem mercado.
Por que não tem mercado, qual é o problema?
Não tem problema. Aqui é Curitiba. Se você pensar bem, vamos falar em termos econômicos, o produto interno bruto da cena musical de Curitiba é insuficiente para todo mundo viver disso. O tanto de ingresso, de disco que se vende... Se juntar num final de semana todos os ingressos que são pagos aqui na cidade pra bandas de Curitiba o total é insuficiente pra todas as pessoas que tocam viverem disso! É insuficiente pra uma produtora que precisa viver, sustentar sua família, apostar nisso. É brigar por migalha. É fisicamente impossível. A grana não se multiplica.
Mas isso acontece em São Paulo também. Não seria isso uma característica da cena underground? Por que, o que é sucesso, tocar no Faustão domingo? Ou sucesso é só conseguir pagar as suas contas?
Sim, isso não é um problema de Curitiba. É um problema da música nacional. Na verdade o Faustão não é parâmetro musical. E as pessoas que fazem boa música no Brasil sabem disso. Por outro lado, eu também gostaria de estar no Faustão por saber que na semana seguinte ia ganhar muita grana. Mas não é um parâmetro musical, nem artístico, nem nada.
Mas você não acha que é importante haver espaço na grande mídia para as coisas legais e de qualidade?
Lógico que sim, mas dentro de certos limites. Na verdade, o que existe de grande mercado no Brasil? São as bandas que já formaram um público, nos anos 80, e se notabilizaram. Porque antigamente as gravadoras lançavam artistas. Hoje em dia as gravadoras não lançam mais artistas a não ser que elas pretendam alguma coisa com o produto. Você não vê um cara talentoso sendo lançado por uma gravadora. A não ser que tenha um pistolão ou que a gravadora queira investir nesse filão.
Você acha que as gravadoras não escolhem mais, que os grupos agora aparecem sozinhos?
É muito difícil falar. É mais fácil você falar da situação financeira do Brasil do que falar disso. Como você vai esperar conseguir sobreviver de música alternativa se tem cem milhões de pessoas passando fome?
Mas você tem, por exemplo, a cena em Porto Alegre, que nasceu e resistiu fora do eixo Rio-São Paulo.
Eles têm uma tradição há algum tempo. Acho que é possível formar uma tradição aqui, nós temos alguma tradição, temos grandes músicos. Do nosso jeito, né, do jeito curitibano, meio bronco. É possível a gente conseguir formar um mercado, mas demora. Porto Alegre sempre teve essa tradição de valorizar o que é deles. Não só na música, a viagem deles é essa. Então pra eles tem como. Pra gente é difícil. A realidade sócio-política de Curitiba é essa. Não é pra se aceitar, porque é uma coisa ruim pra quem gosta de música e quer viver de música, mas é a realidade onde a gente vive, é a nossa cidade.
Você acha que com o sucesso da Reles e com as iniciativas que rolaram nos últimos anos, com os festivais de música em Curitiba, alguma coisa está mudando?
Se você for pensar em circuito alternativo as coisas melhoraram mil porcento. Tem um monte de gente hoje no Brasil que conhece as bandas de Curitiba. Mas ainda é insuficiente para a gente ter um padrão profissional de produção. Tá melhorando, a gente vai conseguir, aos poucos.
Como foi participar da Grande Garagem que Grava (estúdio que gravava cds ao vivo para grupos locais sem custos para os artistas)?
Foi legal pra caramba. O projeto acabou agora, não sei se eles vão retomar e fazer uma segunda etapa. Mas foi espetacular. A maior importância do projeto foi registrar um momento da cena curitibana que nunca havia sido registrado. Você pegar 16 bandas e gravar o que elas estão produzindo naquele ano é uma coisa super legal. Dois mil e cinco foi um grande ano por causa disso. Foi uma coisa histórica. Se tivesse isso todo ano, imagina que material a gente não teria.
A Grande Garagem aconteceu com a ajuda da Fundação Cultural de Curitiba. Ao mesmo tempo em que, nos últimos anos, a Fundação também sinalizou um interesse no cenário musical, com o Curitiba Pop Festival.
Mas o Curitiba Pop Festival não tem mais nada a ver com a Fundação. Tem apoio, mas é uma iniciativa privada. O festival é uma coisa legal porque atrai mídia do Brasil inteiro. O Bad Folks (banda de folk na qual Caio toca violão e canta) quando tocou na primeira edição, na Ópera de Arame, que era uma coisa experimental, praticamente, apesar das atrações internacionais, teve uma repercussão que a gente nunca teve com nenhum outro show.
Foram até pra MTV, né?
É, os caras conheceram a gente através do Curitiba Pop Festival. É uma coisa legal, que tá crescendo, e se tiver todo ano vai crescer cada vez mais. O Festival de Teatro de Curitiba, por exemplo. O teatro e as artes plásticas em Curitiba sempre foram mais atuantes e expressivos no mercado nacional do que a música daqui. Mas quando começou o Festival de Teatro quase não tinham grupos daqui se apresentando em São Paulo, esse intercâmbio que tem hoje em dia. O teatro hoje em Curitiba é um teatro que viaja. Você estréia aqui em Curitiba, mas daqui a pouco está fazendo São Paulo, Rio. Formou-se um quadro interessantíssimo, o teatro hoje em dia sobrevive por si só. Lógico que o apoio da Fundação Cultural é fundamental, mas principalmente o apoio contínuo, o que a música nunca teve.
A música sobrevive apenas de iniciativas isoladas...
Na verdade, o pessoal do teatro soube usar a Lei de Incentivo à Cultura da Fundação. E acho que um pouco a Fundação favoreceu essa facilidade do pessoal do teatro e formou-se um mercado. Hoje em dia tem pessoas que vivem de captar recursos para peças de teatro, através da Fundação. É uma coisa legal, lógico que tem que ter isso. Talvez ainda role isso pra música. O mal que a gente tem aqui com o pessoal da música, os músicos, donos de bares, pseudo-produtores, o que falta é a gente ter um discurso. O que tem nas artes plásticas e tem no teatro. O discurso do teatro é muito forte, o discurso das artes plásticas é muito forte. Fala-se muito de artes plásticas, se teoriza a respeito disso.
O objetivo seria criar uma tradição na música paranaense?
É. Quer dizer, na verdade eu não consigo entender isso. Tento entender, mas não consigo. É difícil. Tem todos esses fatores sócio-econômicos que pesam muito. Não é um privilégio de Curitiba, isso acontece no Brasil inteiro. Na verdade é muito difícil ter uma banda alternativa que tenha uma projeção legal. Você tem lá o Los Hermanos, que também chegou lá por causa de uma gravadora.
E da Ana Júlia...
É, teve um estouro, conseguiu formar seu público. Mas tem banda alternativa no Brasil inteiro e é a mesma dificuldade. Aqui, em São Paulo, no Rio de Janeiro... O Rio de Janeiro nem tem lugar pra tocar. Tem mais lugar pra tocar aqui em Curitiba do que no Rio. A gente está num processo mundial de transformação do mercado de música e aqui no Brasil como a gente é pobrinho a gente sente mais essas dificuldades. Mas tamos aí.
Você falou sobe o discurso do teatro. Quais foram as suas experiências no teatro?
Fiz teatro amador quando era adolescente. E daí conheci uma turma, da qual fazia parte o Guto, o Felipe Hirsch, a Guta Stresser. Era a Turma do Beco, que depois virou a Sutil Companhia de Teatro. A gente fazia umas peças do Veríssimo, nada a ver, a gente tinha 17, 18 anos.
É verdade que vocês expulsaram a Letícia Sabatella desse grupo porque ela era muito certinha?
Não, ela não chegou a entrar no grupo. A gente a convidou pra ir a alguns ensaios e naturalmente a gente foi deixando de convidar. Tanto que depois ela voltou a trabalhar com o Felipe.
“A minha coisa com o teatro era amizade, estar com um grupo de amigos fazendo zona. Nunca quis virar profissional. Apesar de achar que eu até era meio bom”
Que personagem você fez na peça A Vida é Cheia de Som e Fúria?
Eu era o Dick. O personagem principal era do Guilherme (Weber).
Por que você saiu da peça?
A minha coisa com o teatro era amizade, estar com um grupo de amigos fazendo zona. Nunca quis virar profissional. Apesar de achar que eu até era meio bom. Se eu tivesse trabalhado nisso seria um bom ator. Mas é que no teatro você tem que fazer peças diferentes, tem que experimentar, e eu não tava a fim de experimentar. A Vida é Cheia de Som é Fúria rolou quando o Felipe já era conhecido no meio teatral. Ele sabia que eu era um fanático por música e me convidou pra fazer o papel. Na verdade eu tinha o livro Alta Fidelidade (do Nick Hornby, no qual a peça se inspira) antes que ele, a gente já tinha conversado sobre isso. E o cara que foi convidado pra fazer o Dick antes que eu não entendia nada de música. Ele não sabia falar o nome do Velvet Underground. Daí o Felipe me chamou porque eu sabia quem era o Lou Reed. (risos)
Foi o primeiro sucesso nacional da companhia, né?
Muita gente achava a peça melhor do que o livro porque a peça tinha as músicas. O texto era bem fiel - Felipe ganhou prêmio Shell de melhor direção -, a interpretação sensacional, e as músicas estavam ali. A peça tinha 75 inserções musicais. Até hoje o Felipe quer parar de fazer a peça e não consegue. Todo mundo quer ver.
“O que falta pro pessoal da música é ter um discurso. O que tem nas artes plásticas e tem no teatro paranaense”

foto Leandro Mazzetto

dudu wrote:
vou lá na joaquim pra conferir seu novo trabalho.
forte abraço companheiro de bule.
dudumunhoz