25/07: Rollo – a entrevista
Category: Fotografia
Posted by: Melissa Crocetti
fotografias de Ricardo Rollo

Conheci o fotógrafo Ricardo Rollo em 2003, em uma viagem para a Espanha. Não que eu fique viajando por aí, infelizmente não é esse o caso. Na época, eu trabalhava em uma revista, aconteceu um convite para a editora da publicação viajar para a Espanha para fazer matérias sobre turismo, só que ela estava grávida. Eu, como segunda jornalista mais antiga da publicação, fiquei sabendo numa quarta-feira que no sábado iria para Valência, Ibiza e Mallorca. Nada mal para quem só tinha atravessado a fronteira para comprar muambas no Paraguai. E nessa conheci o Rollo.
Uma figura o Ricardo Rollo. Fotografava muito e bebia todas. Ótima companhia. Um invejável passaporte. Como fotógrafo profissional ele já conheceu muitos lugares e coleciona experiências inusitadas. Como dá para perceber nessa entrevista.
Conte um pouco da sua história com a fotografia, sei que você trabalhava com outra coisa e um dia resolveu largar tudo.
Eu trabalhava com assessoria jurídica em marcas e patentes e gastava a maior parte do que recebia com meu hobby, ou seja, fotografia e viagens. Ganhava super bem, pois queria dinheiro e não satisfação pessoal. Um belo dia, enchi de tudo e comecei a trabalhar com o meu hobby. Hoje dinheiro é conseqüência da minha satisfação pessoal. Quanto mais fotografar, mais conseqüência vem!
Seu pai tinha te dado uma máquina quando você ainda era criança, certo?
Ganhei uma Kodak Xereta do meu pai aos 12 anos e nas festinhas de família só dava eu tirando ‘pictures’. Achava maravilhoso depois ver as fotos que fazia e todos gostavam também.
Como aconteceu a foto de 42 minutos daquela árvore?
Teve um dos primeiros concursos de fotografia com o tema ‘Árvores Floridas’ e, ao passar por uma chácara no interior de São Paulo, vi esta árvore. Então eu e minha namorada, Alessandra, paramos e ficamos conversando com os donos enquanto a câmera fotografava no modo B (no qual você que escolhe o tempo de exposição). Enquanto isso estourava um flash, jogava uma luz do farol de milha do carro, enfim, após 42 minutos e depois de revelada foi uma tremenda surpresa, pois ficou bem bacana. Não ganhamos o concurso, mas ganhamos informações de que cada estrela que aparece riscada ao fundo tem uma cor diferente da outra, pois é o tempo que a luz de cada uma demora para chegar na Terra, indicando sua idade (pela cor do borrão).

Você ganhou aquele concurso?
Na verdade o concurso que ganhei foi em 94, o ‘Dê um click no futebol’. Fotografei uma bola na rede refletida na pupila dos olhos de meu irmão. Na premiação conheci o editor de fotografia da revista Quatro Rodas, que me convidou a começar a fotografar. Depois disso entrei no curso Abril de jornalismo em revistas e fui classificado para fazer a Revista Viagem e Turismo. Depois disso, foi só alegria.
Qual é a sua relação com a natureza?
Adoro a natureza, pois ela nos faz ficar humildes e compreensivos com tudo. Em todos os lugares que já fui, a conclusão é a mesma: que somos muito pequenos pra ela. Temos que respeitá-la antes que ela fique brava demais.

Para quantos países você já viajou por causa da fotografia?
Até o momento foram 19 países, cinco continentes, isto porque não considerei estar por 30 minutos na Angola, pois estávamos dando uma carona de barco para os nativos da Tribo Rimba, da Namíbia para Angola. Também passei quatro dias na Antártida. Espetacular!
Qual foi o lugar que mais te marcou?
Vários me marcaram, mas o que marcou mesmo foi a Namíbia. O safári na Namíbia é bem diferente, pois os animais estão no habitat natural mesmo. Fomos fotografar uns rinocerontes e eles nos viram. Não dá pra correr pois ele atinge 76 km/h. A solução é se agrupar fazendo um grande volume, assim ele não faz nada, pois não enxerga direito e acaba indo embora. Mas chegou a uns dois metros da galera. No mesmo dia, voltando para o acampamento (diga-se, um acampamento com tudo do bom e do melhor), vou fechar a sala, com tapetes Persas e tudo mais, e no zíper da porta de divisão havia um escorpião que não quis saber e me deu aquela picada no dedo. Em segundos meu lado direito já estava formigando, inchando, queimando, ou seja, tava morrendo de dor literalmente. Passamos um rádio para um médico que estava distante uns 200km e ele falou pra que eu ficasse em observação, pois só poderia chegar na primeira hora do dia. Uma seringa de sucção foi utilizada para retirar o veneno do meu dedo, que agora já era um Sr. Dedão, e a dor foi diminuindo depois de uma hora e meia. Enfim, como nada poderia ser feito no meio do deserto da Namíbia, me foi sugerido tomar alguma bebida alcoólica para amenizar o sofrimento e prontamente verifiquei uma bela garrafa de Whisky Buccanas, que foi, juntamente com as estrelas cadentes, minha fiel companheira. Graças a Deus cinco dias depois não havia mais dor e só perdi uma tampa da lente, pois caiu sobre um crocodilo e não tive a manha de enfrentá-lo. Esta viagem aconteceu logo após a viagem que te conheci. Assim que voltamos (em um sábado), na segunda-feira, às 9 da manhã, o editor me ligou dizendo que se eu poderia fazer um favor pra ele, viajar por mais quinze dias fazendo os melhores safáris da África do Sul e os melhores da Namíbia. Enfim, não pude recusar, né?
O que você gosta de fotografar?
Adoro carros, motos, gente, viagens, enfim quando se fotografa para turismo sempre se faz fotos de arquitetura, personagens, culinária, etc. É mais fácil falar do que não gosto muito, que é fotografar batizados.
Para quais veículos você está trabalhando hoje em dia?
Recentemente tenho matérias publicadas na Revista Quatro Rodas, Quatro Rodas Clássicos, Especial Motos, Revista Próxima Viagem, Revista Terra, Revista Mitsubishi, Revista V, Revista Trip, Fusca & Cia, Opala & Cia, Minha casa meu imóvel, etc.
Qual o sentido da fotografia, Rollo?
Para mim, é como colher com arte as pequenas frações de segundo que ocorrem a todo instante e que nem todos percebem. Através do meu trabalho imagino colocar um pouco de magia nas pessoas, para que futuramente sejam saboreadas visualmente.
O que você faz quando não está viajando e fotografando?
Felizmente fico curtindo minha mulher, a Loira, fazendo comidinhas, caminhando, reunindo os amigos, mas não consigo ficar sem fotografar mesmo não estando trabalhando, acho magnífico. Vejo muitos sites de fotografia para ter referências de outros caras.


Conheci o fotógrafo Ricardo Rollo em 2003, em uma viagem para a Espanha. Não que eu fique viajando por aí, infelizmente não é esse o caso. Na época, eu trabalhava em uma revista, aconteceu um convite para a editora da publicação viajar para a Espanha para fazer matérias sobre turismo, só que ela estava grávida. Eu, como segunda jornalista mais antiga da publicação, fiquei sabendo numa quarta-feira que no sábado iria para Valência, Ibiza e Mallorca. Nada mal para quem só tinha atravessado a fronteira para comprar muambas no Paraguai. E nessa conheci o Rollo.
Uma figura o Ricardo Rollo. Fotografava muito e bebia todas. Ótima companhia. Um invejável passaporte. Como fotógrafo profissional ele já conheceu muitos lugares e coleciona experiências inusitadas. Como dá para perceber nessa entrevista.
Conte um pouco da sua história com a fotografia, sei que você trabalhava com outra coisa e um dia resolveu largar tudo.
Eu trabalhava com assessoria jurídica em marcas e patentes e gastava a maior parte do que recebia com meu hobby, ou seja, fotografia e viagens. Ganhava super bem, pois queria dinheiro e não satisfação pessoal. Um belo dia, enchi de tudo e comecei a trabalhar com o meu hobby. Hoje dinheiro é conseqüência da minha satisfação pessoal. Quanto mais fotografar, mais conseqüência vem!
Seu pai tinha te dado uma máquina quando você ainda era criança, certo?
Ganhei uma Kodak Xereta do meu pai aos 12 anos e nas festinhas de família só dava eu tirando ‘pictures’. Achava maravilhoso depois ver as fotos que fazia e todos gostavam também.
Como aconteceu a foto de 42 minutos daquela árvore?
Teve um dos primeiros concursos de fotografia com o tema ‘Árvores Floridas’ e, ao passar por uma chácara no interior de São Paulo, vi esta árvore. Então eu e minha namorada, Alessandra, paramos e ficamos conversando com os donos enquanto a câmera fotografava no modo B (no qual você que escolhe o tempo de exposição). Enquanto isso estourava um flash, jogava uma luz do farol de milha do carro, enfim, após 42 minutos e depois de revelada foi uma tremenda surpresa, pois ficou bem bacana. Não ganhamos o concurso, mas ganhamos informações de que cada estrela que aparece riscada ao fundo tem uma cor diferente da outra, pois é o tempo que a luz de cada uma demora para chegar na Terra, indicando sua idade (pela cor do borrão).

Você ganhou aquele concurso?
Na verdade o concurso que ganhei foi em 94, o ‘Dê um click no futebol’. Fotografei uma bola na rede refletida na pupila dos olhos de meu irmão. Na premiação conheci o editor de fotografia da revista Quatro Rodas, que me convidou a começar a fotografar. Depois disso entrei no curso Abril de jornalismo em revistas e fui classificado para fazer a Revista Viagem e Turismo. Depois disso, foi só alegria.
Qual é a sua relação com a natureza?
Adoro a natureza, pois ela nos faz ficar humildes e compreensivos com tudo. Em todos os lugares que já fui, a conclusão é a mesma: que somos muito pequenos pra ela. Temos que respeitá-la antes que ela fique brava demais.

Para quantos países você já viajou por causa da fotografia?
Até o momento foram 19 países, cinco continentes, isto porque não considerei estar por 30 minutos na Angola, pois estávamos dando uma carona de barco para os nativos da Tribo Rimba, da Namíbia para Angola. Também passei quatro dias na Antártida. Espetacular!
Qual foi o lugar que mais te marcou?
Vários me marcaram, mas o que marcou mesmo foi a Namíbia. O safári na Namíbia é bem diferente, pois os animais estão no habitat natural mesmo. Fomos fotografar uns rinocerontes e eles nos viram. Não dá pra correr pois ele atinge 76 km/h. A solução é se agrupar fazendo um grande volume, assim ele não faz nada, pois não enxerga direito e acaba indo embora. Mas chegou a uns dois metros da galera. No mesmo dia, voltando para o acampamento (diga-se, um acampamento com tudo do bom e do melhor), vou fechar a sala, com tapetes Persas e tudo mais, e no zíper da porta de divisão havia um escorpião que não quis saber e me deu aquela picada no dedo. Em segundos meu lado direito já estava formigando, inchando, queimando, ou seja, tava morrendo de dor literalmente. Passamos um rádio para um médico que estava distante uns 200km e ele falou pra que eu ficasse em observação, pois só poderia chegar na primeira hora do dia. Uma seringa de sucção foi utilizada para retirar o veneno do meu dedo, que agora já era um Sr. Dedão, e a dor foi diminuindo depois de uma hora e meia. Enfim, como nada poderia ser feito no meio do deserto da Namíbia, me foi sugerido tomar alguma bebida alcoólica para amenizar o sofrimento e prontamente verifiquei uma bela garrafa de Whisky Buccanas, que foi, juntamente com as estrelas cadentes, minha fiel companheira. Graças a Deus cinco dias depois não havia mais dor e só perdi uma tampa da lente, pois caiu sobre um crocodilo e não tive a manha de enfrentá-lo. Esta viagem aconteceu logo após a viagem que te conheci. Assim que voltamos (em um sábado), na segunda-feira, às 9 da manhã, o editor me ligou dizendo que se eu poderia fazer um favor pra ele, viajar por mais quinze dias fazendo os melhores safáris da África do Sul e os melhores da Namíbia. Enfim, não pude recusar, né?
O que você gosta de fotografar?
Adoro carros, motos, gente, viagens, enfim quando se fotografa para turismo sempre se faz fotos de arquitetura, personagens, culinária, etc. É mais fácil falar do que não gosto muito, que é fotografar batizados.
Para quais veículos você está trabalhando hoje em dia?
Recentemente tenho matérias publicadas na Revista Quatro Rodas, Quatro Rodas Clássicos, Especial Motos, Revista Próxima Viagem, Revista Terra, Revista Mitsubishi, Revista V, Revista Trip, Fusca & Cia, Opala & Cia, Minha casa meu imóvel, etc.
Qual o sentido da fotografia, Rollo?
Para mim, é como colher com arte as pequenas frações de segundo que ocorrem a todo instante e que nem todos percebem. Através do meu trabalho imagino colocar um pouco de magia nas pessoas, para que futuramente sejam saboreadas visualmente.
O que você faz quando não está viajando e fotografando?
Felizmente fico curtindo minha mulher, a Loira, fazendo comidinhas, caminhando, reunindo os amigos, mas não consigo ficar sem fotografar mesmo não estando trabalhando, acho magnífico. Vejo muitos sites de fotografia para ter referências de outros caras.


Cléia wrote: