30/01: Terror no cemitério
Category: Cotidiano
Posted by: Melissa Medroni
Eu já estivera ali outras vezes, mas naquela manhã de sol forte as coisas pareciam diferentes. Como morei alguns anos em Telêmaco Borba, achei que seria interessante levar o Theo para fazer umas fotos no cemitério e na estação de trem abandonados da cidade. Só depois fiquei sabendo que a entrada nesses lugares não é mais permitida, mas como estava habituada a passar por ali na época em que fazia trilhas de bicicleta, achei que não haveria problemas. Eu não imaginava que veria o que vi.

Na noite anterior havia chovido e ventado muito e no caminho encontramos várias árvores caídas. Depois que estacionamos o carro, em frente ao velho portão de madeira, começamos a ouvir barulhos estranhos. Demoramos um pouco até identificar um velho eucalipto gigante que pendia rangendo sobre o muro, bem na direção do carro estacionado. Afastamos um pouco o automóvel e entramos sob os estalos da madeira que cedia rapidamente.

Andamos alguns metros sobre o mato que cobre a maior parte do lugar e onde poucos jazigos ainda sobrevivem ao desgaste do tempo. A maioria das ossadas foi retirada dali depois que o lugar foi abandonado e começou a ser depredado. Avançamos em direção à capela construída para proteger do vento as chamas da velas e para acolher familiares quando estes ainda freqüentavam o local para orar pelos seus entes queridos. Ali encontramos a nossa primeira surpresa macabra.
Um osso humano, provavelmente um fêmur, fora displicentemente deixado sobre o altar. Ao redor dele pentagramas e manchas de cimento queimado revelaram a prática de que rituais sinistros. Demos alguns passos para trás e deixamos a capela, até pisarmos em cacos de uma garrafa de rum espalhados pelo chão, ao lado de outro osso.


Só isso seria suficiente para sairmos correndo, mas continuamos no cemitério examinando alguns túmulos que resistem à ação do tempo, muitos deles de crianças. Então, outro susto, este talvez com alguma explicação científica que não conseguimos decifrar. As cruzes de ferro que não foram arrancadas – muitas delas estavam no chão – e permanecem sobre os túmulos encontram-se torcidas, outras em parte derretidas.
Já tínhamos nos afastado uns cem metros da capela, seguindo para lado esquerdo do cemitério, quando vimos o primeiro sinal de que alguma coisa estava muito errada. A tampa de um túmulo estava parcialmente afastada e via-se um pedaço do cimento que cobria a terra. Dois jazigos à frente, do lado oposto, nos deparamos com uma impressionante.

Um túmulo profanado, com o cimento quebrado, as vigas de ferro que davam sustentação à tumba à mostra, e dentro os restos do que um dia foi um caixão de madeira, descobrindo a coluna vertebral e a bacia que pertenceram a um homem que morreu aos 70 anos, em 1965, e a quem concluímos que os fêmures largados na capela pertenciam. O crânio não estava mais lá.



Depois que nos recuperamos do susto, o Theo fez algumas fotos e saímos com os tênis e as meias carregados de carrapichos. Pegamos o carro e fomos para a estação de trem abandonada, mas os trilhos do trem e as casas da Rede Ferroviária Federal SA cobertas pelo mato já não tinham a menor graça.

Na noite anterior havia chovido e ventado muito e no caminho encontramos várias árvores caídas. Depois que estacionamos o carro, em frente ao velho portão de madeira, começamos a ouvir barulhos estranhos. Demoramos um pouco até identificar um velho eucalipto gigante que pendia rangendo sobre o muro, bem na direção do carro estacionado. Afastamos um pouco o automóvel e entramos sob os estalos da madeira que cedia rapidamente.

Andamos alguns metros sobre o mato que cobre a maior parte do lugar e onde poucos jazigos ainda sobrevivem ao desgaste do tempo. A maioria das ossadas foi retirada dali depois que o lugar foi abandonado e começou a ser depredado. Avançamos em direção à capela construída para proteger do vento as chamas da velas e para acolher familiares quando estes ainda freqüentavam o local para orar pelos seus entes queridos. Ali encontramos a nossa primeira surpresa macabra.
Um osso humano, provavelmente um fêmur, fora displicentemente deixado sobre o altar. Ao redor dele pentagramas e manchas de cimento queimado revelaram a prática de que rituais sinistros. Demos alguns passos para trás e deixamos a capela, até pisarmos em cacos de uma garrafa de rum espalhados pelo chão, ao lado de outro osso.


Só isso seria suficiente para sairmos correndo, mas continuamos no cemitério examinando alguns túmulos que resistem à ação do tempo, muitos deles de crianças. Então, outro susto, este talvez com alguma explicação científica que não conseguimos decifrar. As cruzes de ferro que não foram arrancadas – muitas delas estavam no chão – e permanecem sobre os túmulos encontram-se torcidas, outras em parte derretidas.
Já tínhamos nos afastado uns cem metros da capela, seguindo para lado esquerdo do cemitério, quando vimos o primeiro sinal de que alguma coisa estava muito errada. A tampa de um túmulo estava parcialmente afastada e via-se um pedaço do cimento que cobria a terra. Dois jazigos à frente, do lado oposto, nos deparamos com uma impressionante.

Um túmulo profanado, com o cimento quebrado, as vigas de ferro que davam sustentação à tumba à mostra, e dentro os restos do que um dia foi um caixão de madeira, descobrindo a coluna vertebral e a bacia que pertenceram a um homem que morreu aos 70 anos, em 1965, e a quem concluímos que os fêmures largados na capela pertenciam. O crânio não estava mais lá.



Depois que nos recuperamos do susto, o Theo fez algumas fotos e saímos com os tênis e as meias carregados de carrapichos. Pegamos o carro e fomos para a estação de trem abandonada, mas os trilhos do trem e as casas da Rede Ferroviária Federal SA cobertas pelo mato já não tinham a menor graça.

Sheila Gouveia wrote: