Fotos e texto Tuti Maioli Neto



Inútil não pensar em chocolates, pontualidade, Alpes, canivete, bancos e neutralidade quando se fala da Suíça. Marcas registradas. O que rola mais além destes cartões postais ? A neutralidade está sendo rediscutida depois que a ministra Calmy Rey se pronunciou, sem metáforas, sobre a guerra Líbano-Israel. Agora se fala em “neutralidade ativa”. A arquitetura teve novas ondas a partir de Mario Botta e Meuron & Herzog. O design suíço vai de vento em popa e, em Zurique, mesmo não sendo a capital, é onde as coisas rolam.




Zurique, por exemplo está relacionada com Dadaísmo, James Joyce, Thomas Mann, Elias Canetti e muita cultura. Ela tem o maior número de galerias de arte por metro quadrado. Considerada a 4a cidade mais cara do mundo, e isto você sente na pele e no bolso quando paga por um café expresso e uma grappa, a cifra de 22 reais. Ou se você fuma Marlboro, lá se vão 9 reais.
Começando pelo Cabaret Voltaire, o berço do Dadaísmo. O endereço continua o mesmo, Spielgasse 1, no miolo de Zurique. Rolava o ano de 1916. Primeira Guerra Mundial e a Suíça era uma ilha da paz, onde os artistas jovens, pacifistas e revolucionários de todas as terras européias encontram aqui um abrigo. Lênin preparou em Zurique a revolução russa e viveu até abril de 1917, vizinho ao Cabaret. Foi Hugo Ball que fundou o Cabaret Voltaire e outros “exilados” como Tristan Tzara, Hans Richter, Marcel Janco e Hans Arp aumentaram o cordão.

Para Huelsenbeck, em seu livro de memórias, declarou que “Dada não significa nada. Nós queremos mudar o mundo com nada” Em 2002, o Cabaret quase fechou por problemas financeiros. Daí entrou a Swatch (firma de relógios) no jogo e financia os projetos. A filosofia continua a mesma: uma salada mista cultural com tempero anarquista.

Em 2005, o Cabaret Voltaire ofereceu 10 mil francos suíços e sinceros ao casal que colocasse o nome “Dada” ao filho.

No final do ano passado foi organizada uma mostra “Radical Chic”, uma espécie de Bazar global, incluindo “Guaraná power”, do grupo dinamrquês Superflex, produtos da Bulgária contra depressão, café da América Central, pulôvers estilo Morales e por aí afora. A ONG Yonic (suíça) e que desenvolve projetos em Itacaré (Bahia), também estava presente. O Superflex causou escândalo na Bienal de São Paulo de 2003. Para saber mais, clique:

http://www.cabaretvoltaire.ch/aktuell/aktuell.php?ID=68
http://www.yonic.org/
http://www.superflex.net/